Comemora-se no dia 29 de outubro o Dia Mundial do Acidente Vascular Cerebral (AVC). Apesar de todos os avanços tecnológicos, com novos dispositivos e fármacos para o seu tratamento, assim como terapêuticas mais eficazes na sua prevenção, o AVC continua a ser a principal causa de morte e invalidez em Portugal.
Globalmente, o número total de AVC aumentou, sendo este aumento mais marcado na população acima dos 70 anos e nos países menos desenvolvidos. Apesar de melhorias quer no acesso aos cuidados de saúde quer no tratamento prestado aos doentes em Portugal, ainda existe muito caminho a percorrer. Sabemos que, dos doentes internados por AVC, menos de metade são internados numa Unidade de AVC, menos de 10% dos doentes com AVC isquémico realizam terapêutica trombolitica e pouco mais de 10% são submetidos a tratamento endovascular. Sendo estes os pilares do tratamento nos doentes com AVC isquémico agudo, urge melhorar estes números.

Núcleo de Estudos da Doença Vascular Cerebral da SPMI
Não será de todo possível eliminar o AVC como causa de morte ou morbilidade, dado o envelhecimento da população, mas todos juntos podemos melhorar o panorama desta doença
O primeiro passo passa pela prevenção. Cerca de um terço dos AVCs é causado por sete fatores de risco potencialmente modificáveis como o tabaco, o sedentarismo, os maus hábitos alimentares, a obesidade, a hipertensão, a diabetes e fibrilação auricular (esta última consiste numa arritmia mais prevalente com a idade). É fundamental na prevenção o envolvimento da população em colaboração com os cuidados primários e políticas de saúde adequadas que promovam estilos de vida saudáveis.
O segundo passo envolve a literacia médica e a educação da população para os sinais de alarme. Sintomas como boca de lado, falta de força ou alteração da fala devem levar imediatamente o cidadão comum a ligar para o 112 de forma a ser transportado o mais rápido possível para um hospital com capacidade de tratamento.
O terceiro passo envolve a capacitação dos hospitais para a prestação de cuidados adequados ao doente com AVC.
Infelizmente, as assimetrias no nosso país envolvem também diferenças no acesso à trombólise, trombectomia e unidades de AVC.
Não será de todo possível eliminar o AVC como causa de morte ou morbilidade, dado o envelhecimento da população, mas todos juntos podemos melhorar o panorama desta doença que nos afeta de uma forma tão marcada. Nesta tarefa difícil, mas importante, todos contamos.
Por nós, pelas nossas famílias, pelos que nos são chegados: envolva-se.
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