O cancro é, ainda hoje, uma das grandes chagas sociais do nosso tempo. Não distingue classes sociais, idades, ideologias ou geografias. Entra silenciosamente na vida das pessoas e, muitas vezes, quando dá sinais, já causou estragos profundos — no corpo, na família, na comunidade. É por isso que falar de cancro não é alarmismo: é responsabilidade cívica.
Ao longo da História, as sociedades avançaram quando souberam antecipar os problemas e não apenas reagir a eles. No combate ao cancro, a lógica é a mesma. A prevenção continua a ser a arma mais eficaz que temos. Prevenir é informar, é educar, é criar hábitos saudáveis, é promover rastreios regulares e garantir que ninguém fica para trás por falta de acesso, de conhecimento ou de meios.
A prevenção começa em gestos simples, mas decisivos: uma alimentação equilibrada, a prática regular de exercício físico, o abandono do tabaco, a moderação no consumo de álcool, a proteção contra a exposição excessiva ao sol. Continua com exames de rotina, rastreios organizados e atenção aos sinais do corpo — porque ouvir o corpo é, muitas vezes, salvar a vida.
Mas prevenir é também alertar. Alertar para o facto de que o cancro não é apenas um problema individual, é um problema social. Exige políticas públicas consistentes, um Serviço Nacional de Saúde forte, investimento na investigação científica e uma comunicação clara, séria e persistente. O silêncio, a desinformação e o medo são aliados da doença; o conhecimento e a prevenção são aliados da vida.
Neste dia de luta mundial contra o cancro, importa reafirmar uma ideia simples, mas fundamental: falar de prevenção é falar de futuro. É reduzir sofrimento, é poupar vidas, é construir uma sociedade mais consciente e mais justa. A prevenção não é opcional — é uma prioridade coletiva.
Leia também: A expropriação dos bens da igreja em Portugal | Por Paulo Freitas do Amaral















