A burocracia, irmã gémea da incompetência, prejudica os cidadãos, corrói o Estado e o orçamento do próprio Estado.
Chega a parecer uma doença. São precisos vários documentos no acto de um cidadão se dirigir a uma repartição pública, quando o cidadão pensa que vai obter o solicitado está enganado, ainda falta um documento a comprovar que está vivo.
Quando se nasce é preciso obter o cartão de cidadão o qual tem um prazo de validade, não vá ele nascer outra vez, mas não é suficiente, tem que obter o número de identificação fiscal logo que, ainda bebé, se dirija a um qualquer guichê do Estado.
Alguns anos depois obtém a carta de condução, que também tem um prazo de validade, pois pode ter esquecido como se conduz e quanto mais velho mais frequente tem de ser essa renovação, também tem que ir a um médico para ele comprovar que está vivo, o importante é o papel.
Ao morrer, os seus descendentes têm que tratar rapidamente de todos os assuntos legais porque a certidão de óbito tem um prazo de validade inferior a um ano, sim porque o falecido pode ter alterado o seu estado civil ou pode ter regressado à vida sem dar conhecimento às entidades competentes.
É um desrespeito total por aqueles que trabalham e alimentam o Estado.
O cidadão tem que perder meio dia de trabalho para ir a uma repartição pública, sim porque gasta tempo na viagem, há a fila de espera e por vezes tem que esperar que alguém vá à manicure.
O Estado cobra uma taxa pelo serviço, a qual é pequena para manter a trabalhar os funcionários que sem burocracia seriam desnecessários.
Alguns funcionários parece que assinaram um contrato de trabalho só com direitos, outros continuam de manhã com a azia do dia anterior e há os que são donos do local de trabalho, há alguns casos em que a arrogância roça a má fé. Felizmente já são poucos a tratar o cidadão comum com desdém.
É preciso ser competentemente incompetente para manter uma estrutura tão mal-organizada.
As minhocas parecem ser mais inteligentes do que alguns animais chamados de racionais.
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