O tribunal da Comarca de Lisboa Oeste, com sede em Sintra, decretou a insolvência de uma empresa portuguesa do setor alimentar, decisão que coloca em risco centenas de postos de trabalho e gera grande incerteza sobre a continuidade da produção.
De acordo com a Lusa, esta medida surge na sequência de um pedido de um dos principais credores da companhia e acontece depois de um plano de recuperação ter sido rejeitado. A empresa em causa é a Sicasal Indústria e Comércio de Carnes, SA.
Contexto do processo e dificuldades financeiras
A Sicasal vinha acumulando prejuízos nos últimos anos, tendo faturado 69,7 milhões de euros em 2023 e registado perdas de 12 milhões de euros entre 2022 e 2023.
Segundo a mesma fonte, no final do verão de 2025, a produção na unidade industrial foi suspensa e, em outubro, a empresa avançou com um Processo Especial de Revitalização para tentar negociar com os credores um plano de recuperação. O tribunal recusou o plano devido a falhas repetidas na entrega de documentação essencial.
Impacto sobre trabalhadores e produção
Jorge Calvete, administrador de insolvência nomeado pelo tribunal, confirmou à Agência Lusa que a produção está parada, mas existe intenção de apresentar um plano de recuperação que permita reativar a unidade industrial e evitar o encerramento da fábrica.
O administrador revelou ainda que há vários investidores interessados na empresa. Segundo o Instituto da Segurança Social, a companhia tinha 315 trabalhadores no final de 2024, número que caiu para 260 no final de 2025.
A situação coloca em risco empregos diretos e indiretos, afetando também fornecedores e serviços ligados à produção de carne.
Assembleia de credores e próximos passos
O tribunal marcou para 4 de março a assembleia de credores, ocasião em que serão discutidas propostas e estratégias para tentar recuperar a atividade.
O administrador terá a função de gerir ativos e passivos, avaliar eventuais compradores e analisar alternativas que minimizem os impactos sobre trabalhadores e parceiros comerciais.
Histórico e desafios anteriores
Fundada em 1968 por Álvaro Santos Silva, a Sicasal tem uma história marcada por recuperação e expansão. Em 2011, um incêndio destruiu parte da área de produção, mas a empresa conseguiu reinvestir cerca de 15 milhões de euros nos dois anos seguintes para recuperar e ampliar a unidade.
Na altura, empregava 700 trabalhadores e, em 2013, registou um aumento de 30 por cento no volume de vendas, faturando 85 milhões de euros.
Consequências para a região
A declaração de insolvência afeta a economia local, sobretudo na região de Mafra e Sintra, impactando fornecedores e empresas prestadoras de serviços à unidade.
O futuro da produção permanece incerto e a atenção concentra-se agora nos próximos passos legais e na eventual reativação da atividade. Segundo a Lusa, esta decisão representa um ponto de viragem para a empresa e para os trabalhadores.
















