Portugal prepara-se para uma mudança significativa no estado do tempo já a partir deste sábado, 14 de fevereiro. A chuva persistente que marcou as últimas semanas deverá dar lugar a um período mais estável, mas também mais frio durante a noite, com possibilidade de geadas em várias regiões do interior.
A alteração está associada à entrada da Oscilação do Atlântico Norte, conhecida como NAO, numa fase positiva. De acordo com o Meteored, site especializado em meteorologia, esta transição irá reorganizar a circulação atmosférica no Atlântico Norte e afastar temporariamente as frentes mais ativas da Península Ibérica.
O que significa a mudança da NAO
A NAO mede a diferença de pressão atmosférica entre o anticiclone dos Açores e a depressão da Islândia. Quando essa diferença aumenta, como acontece numa fase positiva, reforça-se o fluxo zonal mais a norte da Europa, desviando as tempestades atlânticas para latitudes superiores.
Segundo o Meteored, este padrão favorece o fortalecimento do anticiclone dos Açores e a sua extensão em crista até à Península Ibérica. Na prática, isso traduz-se em menos precipitação generalizada e maior estabilidade atmosférica em Portugal continental.
O impacto será sentido já no fim de semana, com uma redução clara da ocorrência de chuva na maioria das regiões.
Fim da chuva generalizada e regresso das madrugadas frias
A partir de sábado, o céu deverá apresentar-se pouco nublado ou limpo em grande parte do território. Ainda poderão ocorrer aguaceiros residuais no Norte durante a madrugada, mas a tendência é de rápida dissipação.
De acordo com a mesma fonte, as temperaturas máximas deverão manter-se moderadas, variando entre 14 e 16 graus em cidades como Lisboa, Santarém, Évora e Beja, e entre 11 e 14 graus no litoral Norte.
Já as mínimas descem de forma mais evidente no interior. Em zonas de Trás-os-Montes e da Beira Alta, os valores poderão situar-se entre 1 e 4 graus, com condições favoráveis à formação de geada em vales abrigados.
A estabilidade atmosférica, associada a vento fraco e céu limpo durante a noite, cria o cenário ideal para uma maior perda radiativa de calor, fenómeno típico das madrugadas de inverno sob influência anticiclónica.
Frio noturno, mas sem onda de frio
Apesar da descida das mínimas, não estão reunidas condições para uma onda de frio nos termos definidos pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Trata-se sobretudo de um arrefecimento noturno mais acentuado no interior, num contexto de tempo seco e estável.
O vento deverá soprar fraco, predominando do quadrante leste, o que contribuirá para uma sensação térmica fresca durante a noite e primeiras horas da manhã.
E depois?
A estabilidade poderá manter-se até ao início da próxima semana. Contudo, segundo explica o Meteored, o enfraquecimento gradual do anticiclone poderá permitir a aproximação de nova frente atlântica a meio da semana.
Essa eventual alteração dependerá da evolução da circulação atmosférica e da posição exata dos centros de ação. Pequenas variações poderão influenciar o regresso ou não da precipitação ao território.
Para já, o cenário aponta para uma pausa na chuva generalizada que marcou o último mês e para o regresso de noites mais frias no interior.
A mudança não significa o fim do inverno, mas representa uma clara reorganização do padrão atmosférico que dominou as últimas semanas.
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