Portugal poderá enfrentar, nos próximos dias, um episódio de calor intenso, com temperaturas muito acima do habitual para esta altura do ano. A previsão ainda pode sofrer ajustes, mas os modelos meteorológicos apontam para uma subida marcada dos termómetros no arranque da próxima semana.
De acordo com a Meteored, o modelo europeu ECMWF alterou a localização prevista de uma bolsa de ar frio em altitude, uma mudança que poderá reforçar a entrada de ar quente em direção à Península Ibérica. O efeito deverá ser sentido sobretudo no interior de Portugal continental, onde algumas regiões poderão aproximar-se dos 44 graus.
Modelo europeu muda a localização do fenómeno
A previsão mais recente indica que uma bolsa de ar frio deverá desprender-se da corrente de jato entre sábado e domingo. Apesar de parecer contraditório, este tipo de fenómeno pode contribuir para intensificar o calor quando se posiciona de forma a impulsionar ar quente para determinada região.
Segundo a Meteored, a gota fria deverá ficar situada a sudoeste de Portugal continental, favorecendo a deslocação de uma massa de ar quente em direção à Península Ibérica. Esta configuração atmosférica poderá provocar uma subida adicional das temperaturas a partir das últimas horas de segunda-feira.
Interior será mais afetado
A intensidade do calor não deverá ser igual em todo o país. A faixa litoral deverá beneficiar de alguma influência marítima, que tende a moderar as temperaturas máximas. Já o interior deverá sentir o episódio de forma mais intensa, devido à maior influência continental e à menor capacidade de arrefecimento vinda do oceano. De acordo com a Meteored, estão previstas anomalias térmicas positivas até 14 graus em boa parte do país no arranque da próxima semana. Isto significa que os valores poderão ficar muito acima do que seria normal para esta fase de junho.
Calor pode durar vários dias
As saídas atuais do modelo europeu sugerem que o calor poderá manter-se em boa parte de Portugal até à reta final da próxima semana. Ainda assim, a previsão deve ser lida com alguma cautela, porque a distância temporal permite alterações nos próximos dias.
A posição final da gota fria, os fluxos dominantes e a forma como a massa de ar quente se deslocará serão determinantes para definir a intensidade e a duração do episódio. Para já, a tendência aponta para uma primeira subida até domingo e uma nova subida significativa a partir de segunda-feira.
Terça-feira pode ser o dia mais quente
A previsão atual aponta para terça-feira como um dos dias mais exigentes deste episódio. Segundo a Meteored, as temperaturas máximas poderão variar entre os 30 graus em Viana do Castelo e os 42 graus em Santarém. No Vale do Douro, os termómetros poderão chegar aos 44 graus, colocando esta região entre as mais quentes do país. Também a Beira Baixa, o Ribatejo e o Alentejo poderão registar valores muito elevados, com máximas que poderão atingir os 43 graus em alguns locais.
Noites tropicais podem agravar desconforto
O calor deverá continuar a fazer-se sentir mesmo depois do pôr do sol. A noite de terça-feira poderá ser uma das mais quentes dos próximos dias, com temperaturas ainda muito elevadas em várias cidades. A Meteored aponta para valores entre os 25 graus em Faro e os 33 graus em Castelo Branco e Portalegre durante a noite. No Porto, os termómetros poderão rondar os 32 graus pelas 23h, enquanto Viana do Castelo, habitualmente mais fresca, poderá chegar aos 26 graus à mesma hora. Estas temperaturas noturnas dificultam o descanso e aumentam o risco para pessoas mais vulneráveis.
Litoral com valores mais moderados
Apesar da subida generalizada, o litoral deverá escapar aos valores mais extremos. A influência marítima deverá ajudar a conter as máximas em várias zonas costeiras, sobretudo no litoral Norte e Centro. Ainda assim, isso não significa ausência de calor. Mesmo junto ao mar, as temperaturas poderão ficar acima do habitual, embora longe dos valores previstos para o interior. A diferença entre litoral e interior deverá ser uma das marcas deste episódio.
Calor pode coexistir com instabilidade
O episódio de calor poderá ocorrer em simultâneo com alguma instabilidade atmosférica. A Meteored admite a possibilidade de aguaceiros e trovoadas no interior Norte e Centro, dependendo da evolução da bolsa de ar frio em altitude.Em dias muito quentes, a instabilidade pode formar-se de forma localizada, sobretudo durante a tarde. Isto significa que algumas regiões poderão ter temperaturas muito elevadas e, ao mesmo tempo, risco de trovoada ou aguaceiros dispersos.
Alívio poderá chegar no final da semana
A previsão atual aponta para uma descida das temperaturas a partir de sexta-feira, dia 26. Esse arrefecimento deverá aliviar tanto as máximas diurnas como os valores noturnos. Até lá, Portugal poderá enfrentar vários dias de calor intenso, com impacto mais evidente no interior. A evolução deverá continuar a ser acompanhada, porque pequenas mudanças na posição dos centros de ação podem alterar a distribuição das temperaturas.
Cuidados devem ser reforçados
Perante valores tão elevados, os cuidados devem ser redobrados. Idosos, crianças, grávidas, pessoas com doenças crónicas e trabalhadores expostos ao exterior estão entre os grupos que exigem maior atenção. É aconselhável evitar esforços físicos nas horas de maior calor, beber água com frequência, procurar locais frescos e manter as casas protegidas da radiação direta durante o dia. As noites quentes também exigem cuidado, já que o organismo tem mais dificuldade em recuperar após dias consecutivos de calor intenso.
Portugal prepara-se para dias difíceis
Se a previsão se confirmar, Portugal continental poderá enfrentar um episódio de calor muito significativo, com vários dias consecutivos de temperaturas elevadas. O interior deverá ser a zona mais afetada, com destaque para o Vale do Douro, Beira Baixa, Ribatejo e Alentejo. A possibilidade de máximas até 44 graus mostra a dimensão do episódio previsto e justifica atenção acrescida nos próximos dias. O calor deverá ganhar força no início da próxima semana e só poderá aliviar mais perto da reta final da semana, caso a atual tendência dos modelos se mantenha.
Leia também: Vem aí uma língua de poeiras do Saara: céu em Portugal vai mudar de cor e pode haver chuva de lama















