Depois de semanas consecutivas marcadas por chuva intensa, vento forte e sucessivos temporais, começam finalmente a surgir sinais de que o mau tempo poderá dar tréguas em Portugal a partir de meados de fevereiro, segundo os principais modelos meteorológicos, que apontam para uma mudança gradual no padrão atmosférico responsável pela instabilidade recente.
A indicação surge numa altura em que o país tem estado sob influência quase permanente de depressões atlânticas, com impacto significativo no dia a dia, na circulação rodoviária e nas zonas ribeirinhas, sobretudo nas regiões Norte e Centro. Segundo o site especializado em meteorologia Meteored, os dados mais recentes sugerem que este cenário poderá começar a aliviar de forma progressiva ao longo da próxima semana, mais precisamente a partir de quinta-feira, dia 12.
Apesar deste sinal positivo, os próximos dias ainda serão marcados por instabilidade. A tempestade Leonardo, recentemente nomeada pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera, deverá continuar a condicionar o estado do tempo até ao final da semana, com períodos de chuva, vento forte e agitação marítima.
Um padrão atmosférico persistente
A situação meteorológica das últimas semanas tem sido provocada por uma configuração sinóptica pouco habitual, dominada por um bloqueio de altas pressões entre a Gronelândia e a Escandinávia. Este bloqueio tem forçado a corrente de jato polar a deslocar-se para latitudes mais a sul do que o normal.
Como consequência, as depressões e frentes atlânticas têm atingido com frequência o Sudoeste da Europa, incluindo Portugal continental. Ao mesmo tempo, o anticiclone dos Açores tem-se apresentado mais fraco e afastado da posição habitual, facilitando a entrada sucessiva de sistemas frontais carregados de humidade, conforme refere a mesma fonte.
Este contexto tem sido agravado pela presença de rios atmosféricos provenientes das Caraíbas, ricos em vapor de água, que reforçam a intensidade e a persistência da precipitação.
O “comboio” de tempestades atlânticas
Este padrão tem estado associado a uma fase negativa da Oscilação do Atlântico Norte, que se mantém há várias semanas. O resultado tem sido um autêntico “comboio” de tempestades atlânticas, responsável por sucessivos episódios de chuva, vento, neve nas terras altas e forte agitação marítima em Portugal.
Entre as depressões mais recentes contam-se Francis, Goretti, Harry, Ingrid, Joseph, Kristin e Leonardo. Destas, apenas Harry não teve impacto direto em Portugal, enquanto Kristin foi apontada como uma das mais severas em termos de danos materiais e consequências humanas.
No curto prazo, este regime de instabilidade deverá manter-se. De acordo com a fonte acima citada, a tempestade Leonardo apresenta um comportamento quase estacionário a noroeste da Península Ibérica, afetando Portugal através da passagem sucessiva de frentes.
O que esperar nos próximos dias
Até sábado, estão previstos em Portugal períodos de chuva ou aguaceiros, por vezes fortes, com possibilidade de granizo e trovoada, vento intenso e queda de neve acima dos 800 a 1000 metros de altitude. Apesar disso, poderão ocorrer breves períodos de melhoria, com abertas temporárias.
A partir de meados de fevereiro, os principais modelos de previsão começam a sinalizar uma alteração gradual na dinâmica atmosférica. De acordo com as projeções mais recentes analisadas pelo portal Meteored, a corrente de jato polar tenderá a deslocar-se progressivamente para latitudes mais elevadas.
Este movimento poderá reduzir a chegada direta de novas depressões atlânticas a Portugal, permitindo um enfraquecimento do “comboio” de tempestades que tem afetado o país quase continuamente desde o início do ano.
Uma melhoria gradual e não imediata
Os cenários atuais apontam para que, a partir da segunda metade da próxima semana, possivelmente a partir de quinta-feira, 12 de fevereiro, as tempestades atlânticas passem a circular mais a norte, afastando-se gradualmente do território nacional.
Este processo deverá traduzir-se num alívio progressivo da precipitação, com dias secos mais frequentes e chuva cada vez mais dispersa, sobretudo nas regiões a sul do sistema montanhoso Montejunto-Estrela.
Ainda assim, os especialistas do Meteored alertam que não se prevê um fim abrupto do mau tempo. A transição será gradual e as previsões dizem respeito a um horizonte temporal superior a sete dias, pelo que deverão ser acompanhadas com cautela.
Nos próximos dias, a chuva continuará a marcar presença em todo o país, em especial no Norte e Centro, sendo necessária confirmação desta tendência nas próximas atualizações dos modelos meteorológicos.
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