O surfista brasileiro Carlos Burque viveu, na Nazaré, um episódio que quase transformou uma sessão de ondas gigantes num acidente grave. De acordo com o portal Notícias ao Minuto, o atleta de 58 anos foi apanhado por uma onda de grandes dimensões, arrastado durante vários segundos e apenas conseguiu regressar à superfície com a ajuda de uma equipa de resgate que o retirou do mar já em dificuldades.
Segundo a mesma fonte, o incidente ocorreu na passada quarta-feira, dia 3 de dezembro, quando Burque surfava ao largo da Praia do Norte e acabou por ser surpreendido pela força da onda. A ação rápida dos brasileiros Lucas Chumbo, campeão de ondas gigantes da Nazaré; e Willyam Santana foi decisiva para o retirar da zona de impacto. Toda a operação ficou registada em vídeo, através de câmaras transportadas pela equipa no momento da queda.
Surfista não perdeu os sentidos
O surfista não perdeu os sentidos enquanto esteve submerso, mas enfrentou dificuldades por ter sido arrastado até ao fundo. Acrescenta a publicação que Burque demorou a conseguir ativar o colete insuflável, equipamento crucial para regressar à superfície.
Depois de retirado da água, recebeu assistência imediata na areia e foi posteriormente transportado para o hospital para observação.
O testemunho na primeira pessoa e a luta pela sobrevivência
Refere a mesma fonte que, já recuperado do susto, Carlos Burque relatou ao portal brasileiro UOL Esporte que nunca tinha sentido tamanha urgência em respirar. “Eu nunca senti tanta vontade de respirar. Perdes muita oxigenação. O corpo aciona a emergência, então tu ficas só a sobreviver”, afirmou, explicando que respondeu sempre aos pedidos de Lucas Chumbo, apesar da sensação de falta de ar.
Burque descreveu também as dificuldades provocadas pela profundidade a que foi arrastado. O surfista recordou a pressão nos pulmões e o peso do equipamento, elementos que dificultaram o processo de subida. “Quando eu subo, eu não tenho tempo para recuperar. Já levo com a segunda onda”, disse, sublinhando que a sequência de impactos o deixou momentaneamente sem capacidade para ativar o dispositivo de emergência.
O impacto psicológico e as imagens que quase custaram caro
Conforme o Notícias ao Minuto, o surfista admitiu que parte do risco decorreu da tentativa de captar imagens durante a sessão. “Queria fazer umas imagens, e desde a primeira onda estava com a câmera na boca. Quando caio, continuo a segurar com as duas mãos para não a perder. Por isso, demoro para acionar o cilindro”, explicou, reconhecendo que a vontade de registar o momento interferiu na resposta imediata ao acidente.
Depois de ser retirado da água, Burque descreveu a sensação de renascimento. “Parecia que eu tinha nascido de novo. O meu pulmão estava apertado, eu queria respirar e não conseguia.” Já com o incidente ultrapassado, refletiu sobre os limites do registo visual nas ondas gigantes: “Hoje questiono-me: até onde vamos para fazer uma boa imagem?”.
Leia também: Vem aí frio ‘de rachar’ acompanhado de chuva forte a partir deste dia em Portugal e estas serão as regiões afetadas
















