As pensões estão a aumentar em janeiro de 2026 e, além da atualização regular ligada à inflação e ao crescimento económico, as novas tabelas de retenção na fonte de IRS estão a deixar mais dinheiro “na carteira” de muitos reformados, segundo simulações da EY divulgadas pelo portal ECO.
O reforço sente-se em duas frentes: por um lado, o valor bruto das pensões é atualizado; por outro, a retenção mensal de IRS passa a ser, em muitos casos, mais baixa do que seria sem a revisão das tabelas, aumentando o valor líquido recebido.
De acordo com as simulações, um pensionista que recebia 1.000 euros brutos em 2025 passa, em termos líquidos, a receber mais 27 euros por mês em 2026, combinando o aumento da pensão e o efeito das novas tabelas.
Como é calculado o aumento das pensões
A atualização regular das pensões é feita por lei em janeiro de cada ano e tem por base dois indicadores: a média do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos últimos dois anos e a variação média dos últimos 12 meses do Índice de Preços no Consumidor (IPC) sem habitação, apurada até 30 de novembro.
Com esses critérios, as pensões até 1.074,26 euros sobem 2,8% este mês. As pensões entre 1.074,26 euros e 3.222,78 euros aumentam 2,27% e as pensões acima de 3.222,78 euros sobem 2,02%.
Já as pensões superiores a 6.445,56 euros não são atualizadas, segundo as mesmas regras.
IRS: retenção mais baixa pode reforçar o valor líquido
Paralelamente, o Governo publicou novas tabelas de retenção na fonte de IRS, que reduzem a taxa aplicada em vários escalões e podem traduzir-se em mais rendimento líquido nas pensões, mesmo quando o desconto mensal aumenta em valor absoluto por efeito do aumento do bruto.
O princípio é simples: com a pensão mais alta, pode haver mais retenção em euros, mas a taxa efetiva pode ser inferior à que resultaria se as tabelas não tivessem sido atualizadas — e isso faz diferença no valor que chega à conta todos os meses.
As simulações partilham exemplos para solteiros sem dependentes, mostrando como o impacto varia consoante o valor da pensão e o nível de retenção aplicável.
Exemplos: de 600 a 4.000 euros brutos
Num caso de pensão de 600 euros em 2025, aplica-se uma atualização de 2,8%, o que representa mais 16,8 euros brutos. Como não há retenção na fonte prevista tanto em 2025 como em 2026 para este valor, o aumento reflete-se integralmente no líquido: passa de 600 para 616,8 euros mensais.
Para uma pensão de 1.000 euros em 2025, o desconto mensal era de 32 euros (968 euros líquidos). Em 2026, com a atualização para 1.028 euros e com as novas tabelas, a retenção estimada é de 33 euros, fazendo com que 27 euros do aumento bruto cheguem efetivamente ao bolso do pensionista (995 euros líquidos).
No exemplo de 1.500 euros, a retenção em 2025 era de 155 euros (1.345 euros líquidos). Em 2026, com atualização de 2,27% e novas tabelas, a pensão líquida sobe para 1.375,05 euros, mais 30,05 euros por mês; sem atualização das tabelas, o ganho líquido seria inferior, na ordem dos 26 euros.
Num valor de 2.000 euros, a simulação aponta para uma subida do líquido de 1.712 para 1.750,4 euros mensais, um acréscimo de 38,4 euros, com retenção a passar de 288 para 295 euros.
Já numa pensão de 4.000 euros, o aumento bruto estimado é de 80,8 euros (2,02%). O desconto mensal em IRS, com as novas tabelas, é calculado em 1.153 euros, levando a pensão líquida para 2.927,8 euros, mais 59,8 euros do que no ano anterior.
Regra também abrange pensões atribuídas recentemente
O ECO sublinha ainda que mesmo pensões atribuídas em 2025 têm direito a estas atualizações regulares. Até 2024, a norma fazia com que as reformas só subissem dois anos após a atribuição, mas a regra foi entretanto alterada.
Em termos práticos, isso significa que mais pensionistas ficam abrangidos pelas atualizações de janeiro, independentemente de a pensão ser “antiga” ou recente.
O impacto final no bolso depende sempre do valor bruto, da retenção aplicável e da situação fiscal de cada pensionista, mas as simulações apontam para aumentos líquidos mensais mais visíveis quando as novas tabelas evitam uma retenção mais pesada.
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