“Apagão” foi eleita a Palavra do Ano 2025 pelos portugueses, numa votação promovida pela Porto Editora e que contou com milhares de participações ao longo de novembro. De acordo com a editora, o termo obteve 41,5 por cento dos votos, refletindo a dimensão do evento que marcou o ano: a falha massiva no fornecimento elétrico que paralisou Portugal e partes de Espanha em abril, deixando transportes, comunicações e serviços básicos temporariamente inacessíveis.
No site oficial do concurso, a Porto Editora explica que o “apagão” ficou associado à experiência coletiva de um dia em que o país parou e a vulnerabilidade das infraestruturas ficou exposta. O episódio foi descrito como um momento que conjugou incerteza, aflição, inquietação, mas também oportunidade de reflexão num quotidiano hiperconectado.
Os motivos por detrás da escolha
Segundo a publicação, esta foi a primeira edição em que os votantes puderam justificar a sua escolha da Palavra do Ano: muitos apontaram o “apagão” como o acontecimento mais marcante do ano e como um símbolo de um país que, por algumas horas, experimentou uma interrupção abrupta da normalidade.
A Porto Editora sublinha que as justificações recebidas destacam o lado histórico do evento e a forma como mobilizou discussões sobre resiliência, dependência tecnológica e capacidade de resposta em situação de crise.
“Imigração” e “flotilha” completam o pódio
O segundo lugar foi ocupado por “imigração”, com 22,2 por cento das preferências. De acordo com a Porto Editora, a escolha reflete a centralidade do tema no debate político, social e económico ao longo do ano. O aumento dos fluxos migratórios, a pressão sobre os sistemas de acolhimento e as discussões sobre integração dominaram parte relevante da agenda.
Em terceiro lugar surge “flotilha”, que recolheu 8 por cento dos votos. Segundo a mesma fonte, a palavra ganhou destaque pelas várias operações marítimas e contextos geopolíticos em que foi amplamente utilizada, desde missões humanitárias a tensões internacionais que marcaram os noticiários de 2025.
As restantes finalistas
A lista completa das dez palavras finalistas incluiu ainda “Agente (IA)” (6,4 por cento), “fogos” (5,5 por cento), “eleições” (5,3 por cento), “perceção” (4,3 por cento), “elevador” (4 por cento), “tarefeiro” (1,9 por cento) e “moderado” (0,9 por cento).
Segundo a Porto Editora, estas palavras foram selecionadas com base em mais de 6.500 sugestões submetidas no site Palavra do Ano, nas entradas mais pesquisadas no dicionário Infopédia e num trabalho contínuo de observação da língua portuguesa nos meios de comunicação e redes sociais.
Uma viagem pelas escolhas das últimas décadas
A iniciativa, que começou em 2009, tem vindo a registar a evolução das preocupações coletivas ao longo dos anos. Em 2024, ano marcado pelos 50 anos do 25 de Abril, a palavra escolhida foi “Liberdade”. Antes disso, o título foi atribuído a “professor” (2023), “guerra” (2022), “vacina” (2021) e “saudade” (2020).
A lista continua com termos que ficaram gravados na memória recente: “violência doméstica”, “enfermeiro”, “incêndios”, “geringonça”, “refugiado”, “corrupção”, “bombeiro”, “entroikado”, “austeridade”, “vuvuzela” e “esmiuçar”.
Mais do que um exercício linguístico, a Palavra do Ano tornou-se um retrato anual das tensões, avanços, crises e emoções que atravessam a sociedade portuguesa.
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