A nomeação de Dino d’Santiago como mandatário da Cultura, Diversidade e Inclusão da candidatura presidencial de Luís Marques Mendes está a agitar o debate político, ao recuperar declarações antigas do músico sobre um hino nacional “menos bélico” e ao reabrir discussões sobre financiamentos públicos ligados aos seus projetos.
De acordo com o Diário de Notícias, a confirmação foi feita esta quinta-feira, 4 de dezembro, com a candidatura a indicar que o artista aceitou o convite e a destacar o seu trabalho na promoção do diálogo cultural e no combate à discriminação.
A escolha foi também criticada por adversários, com o tema a ganhar tração nas redes sociais e a deslocar o foco para duas frentes: símbolos nacionais e escrutínio sobre dinheiro público.
A frase sobre o hino nacional que voltou ao debate
A polémica sobre o hino nacional reacendeu-se por causa de intervenções públicas feitas em 2023, durante um evento associado aos 50 anos do Expresso, onde Dino d’Santiago sugeriu repensar “A Portuguesa” num sentido menos belicista.
Na altura, o músico afirmou: “É tempo de termos um hino menos bélico, que incentive menos às guerras”, defendendo que não se grite “às armas” nem se marche “contra os canhões”.
Agora, essas palavras regressam ao espaço político por se cruzarem com a função de mandatário da Cultura numa candidatura presidencial, um cargo sem poder institucional direto, mas com peso simbólico e mediático.
Pressão política e reação dos adversários
Segundo a mesma fonte, é referido que André Ventura criticou a nomeação e associou a escolha a declarações do músico sobre o hino e sobre racismo em Portugal, aumentando a polarização em torno do tema.
Do lado de Marques Mendes, a justificação pública conhecida passa por valorizar o percurso artístico e o trabalho de promoção da igualdade e do diálogo cultural, recordando inclusive a Medalha de Mérito Cultural atribuída em 2023.
Até ao momento, a controvérsia gira sobretudo em torno da figura escolhida e do impacto das suas declarações, não existindo indicação pública, nos elementos citados, de que a candidatura proponha formalmente alterar o hino nacional.
Financiamentos públicos: o que se sabe e o que é contestado
Em paralelo, a discussão voltou a dar visibilidade a investigações jornalísticas que estimam montantes relevantes de apoios e contratos públicos associados a estruturas ligadas ao músico, como a empresa Batuku Roots e a associação Mundu Nôbu, no período 2021–2025.
Sobre o caso específico dos “481 mil euros”, e de acordo com o Diário de Notícias, a Mundu Nôbu respondeu por escrito a um pedido de esclarecimentos, afirmando que “não corresponde à verdade” que a associação tenha recebido esse valor “proveniente de contratos diretos com empresas municipais”, acrescentando que os pagamentos seriam faseados e dependentes de entregáveis.
Na mesma resposta, a associação afirma ainda que Dino d’Santiago e a cofundadora “nunca receberam qualquer verba por parte da MN” e que o presidente terá, pelo contrário, alocado verbas pessoais ao projeto, prometendo disponibilizar informação financeira após aprovação em assembleia-geral.
Com a campanha presidencial a ganhar ritmo, a pressão agora recai sobre a necessidade de clarificar critérios, funções e escrutínio, tanto para travar leituras de “novo hino nacional”, como para responder às dúvidas sobre transparência em matérias que envolvem dinheiros públicos.
- Notícia atualizada a 5 de dezembro às 22:50
















