
Sete movimentos e associações ambientalistas exigiram hoje a correção do curso do insustentável modelo de desenvolvimento rural na área do Alqueva e noutros perÃmetros de rega do Alentejo e no sentido de um efetivamente sustentável.
A exigência surge numa carta aberta enviada hoje aos ministros da Saúde, das Infraestruturas e da Habitação, do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, da Agricultura, do Ambiente e da Ação Climática e da Coesão Territorial, aos presidentes dos municÃpios, ao diretor regional de Agricultura e Pescas do Alentejo e ao presidente da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva.
A carta é subscrita pelo Alentejo Litoral pelo Ambiente, pela Associação Ambiental Amigos das Fortes, pelo GAIA Alentejo, pelo Juntos Pelo Sudoeste – Movimento de Cidadãos de Odemira e Aljezur em defesa do Sudoeste, pelo Movimento Alentejo VIVO, pela Tamera – Centro Internacional de Pesquisa para a Paz e pela ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável.
Na carta, os subscritores, nos contextos da crise climática global e da pandemia de covid-19 e da respetiva “crise económica” que despoletou, apontam “a insustentabilidade do modelo de desenvolvimento rural” que tem vindo a ser implementar na área de influência de Alqueva e noutros perÃmetros de rega no Alentejo.
Os subscritores defendem que “é essencial corrigir o curso no sentido de um modelo de desenvolvimento efetivamente sustentável” e pedem a “ação urgente” dos destinatários da carta para “implementação de um modelo de desenvolvimento rural baseado na agroecologia”, dando cumprimento à s responsabilidades que lhes estão atribuÃdas pela Constituição da República Portuguesa.
“Esta correção de curso deve começar já”, nomeadamente “acabando urgentemente” com a poluição do ar na aldeia de Fortes, no concelho de Ferreira do Alentejo, no distrito de Beja, causada por uma fábrica de transformação de bagaço de azeitona.
Segundo os subscritores, a correção deve começar também com a revogação “nos próximos três meses” da resolução de 2019 do Conselho de Ministros relativa ao perÃmetro de rega do Mira e proibindo o alojamento de trabalhadores rurais em contentores e limitando a expansão da área de agricultura industrial sob coberto naquele perÃmetro.
A correção deve começar ainda com a criação “nos próximos três anos” de corredores ecológicos e ilhas de biodiversidade em redor de povoações, habitações, espaços públicos, linhas e massas de água e zonas estratégicas de conservação.
Os subscritores defendem que um modelo de desenvolvimento efetivamente sustentável tem de garantir a participação e o envolvimento direto das populações na avaliação, no planeamento, na implementação e na pós-avaliação de quaisquer projetos que visem o desenvolvimento do seu território, a “defesa veemente” da saúde pública e da qualidade de vida, a dignificação da pessoa humana e do trabalho rural, a democratização da economia, a justa distribuição da riqueza gerada por investimentos públicos, a criação de um sistema agroalimentar resiliente, o equilÃbrio dos ecossistemas e a sustentabilidade dos recursos e a ligação das pessoas ao território, através do acesso aos recursos naturais, ao património cultural e paisagÃstico.
Os sete movimentos e associações referem que “o Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, considerado o maior investimento público da democracia portuguesa, embora se reconheçam os seus méritos técnicos, abriu portas a um modelo de desenvolvimento agroindustrial”, que, “alheio ao consentimento das populações”, tem levado a vários problemas.
Um dos problemas são as “ameaças à saúde pública”, através da “aplicação sistemática de pesticidas agrÃcolas” junto a casas, povoações e espaços públicos, mas também em zonas em risco de contaminação de linhas de água, albufeiras e captações de água subterrânea, da instalação de unidades industriais junto a vias públicas e a povoações, como é o caso de Fortes.
A “exploração laboral e a indignidade humana”, com a “proliferação de redes de tráfico humano com fins de exploração laboral, que geram situações indignas de trabalho e na habitação”, a “iniquidade social e económica”, com a “concentração da propriedade rural e da riqueza gerada”, e a destruição de património cultural e de recursos naturais e o desordenamento do território, através da “violação flagrante dos instrumentos de ordenamento do território”, são os outros problemas apontados.
















