A atualização anual das pensões vai trazer um aumento de 2,8% para a maioria dos pensionistas logo em janeiro de 2026, segundo cálculos feitos pelo ECO, site especializado em economia, com base nos números divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística.
A subida resulta da aplicação da fórmula legal que combina inflação e crescimento económico, e poderá ainda ser acompanhada de um suplemento extraordinário, caso as contas públicas permitam. A medida repete o que já aconteceu em 2024 e 2025, mas desta vez a margem é menor.
Como se calculam os aumentos
As pensões sobem todos os anos de acordo com dois indicadores: a variação média dos últimos 12 meses do Índice de Preços no Consumidor sem habitação e a média do crescimento do Produto Interno Bruto dos dois anos anteriores. De acordo com a publicação económica, estes dados ficaram fechados esta sexta-feira com a estimativa rápida de inflação e a confirmação do comportamento da economia no terceiro trimestre.
Segundo o ECO, os valores apontam para que as pensões até duas vezes o Indexante dos Apoios Sociais, o que corresponde a 1.074 euros, subam 2,8%. A ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, tem repetido que a maioria das pensões de velhice se concentra neste primeiro patamar. Para as pensões intermédias, entre 1.074 e 3.222 euros, a atualização prevista é de 2,27%, um valor que acompanha exatamente a inflação.
Subidas menores para as pensões mais altas
Já os pensionistas com reformas acima de 3.222 euros terão direito a um aumento de 2,02%, um resultado que decorre do mecanismo previsto na lei, que aplica uma redução de 0,25 pontos percentuais face à inflação nos escalões mais elevados.
A regra mantém-se inalterada e, ao contrário do que acontecia até 2024, também as pensões atribuídas em 2025 vão beneficiar deste aumento, graças a uma alteração legislativa recente. Até então, as novas pensões apenas subiam dois anos depois de serem atribuídas.
Bónus extraordinário depende da folga orçamental
No debate do Orçamento do Estado para 2026, vários partidos da oposição tentaram incluir aumentos extraordinários permanentes, mas o Governo travou essa possibilidade. Em alternativa, explica a publicação, foi aprovada uma norma que permite um suplemento extraordinário, pago uma única vez, mas apenas se a execução orçamental o permitir.
O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, já admitiu que será muito mais difícil replicar o bónus concedido nos últimos dois anos. As pressões sobre as contas públicas, em particular devido ao impacto dos empréstimos associados ao Plano de Recuperação e Resiliência, deixam pouca margem para medidas adicionais.
IAS vai subir para 537 euros
A atualização das pensões tem impacto noutros apoios. O ECO calcula que o IAS, que serve de referência para prestações sociais como o subsídio de desemprego, rendimento social de inserção, abono de família ou subsídio por morte, deverá subir dos atuais 522,50 euros para cerca de 537 euros em 2025. O valor definitivo será confirmado em dezembro, quando o INE publicar os dados finais da inflação.
O que vem a seguir
Os números ainda podem sofrer pequenos ajustes, mas as linhas gerais estão definidas. As atualizações entram em vigor em janeiro e marcam o arranque de um ano que poderá exigir contenção orçamental.
Para já, mantêm-se garantidos os aumentos regulares previstos na lei e a possibilidade, mais condicionada, de um suplemento para os rendimentos mais baixos.
















