Os preços dos bens alimentares continuam a aumentar em Portugal, agravando o peso das compras no orçamento familiar e voltando a colocar em destaque o aumento do custo de vida. Apesar do abrandamento da inflação, o preço do cabaz alimentar essencial segue em alta, com novos recordes registados nas últimas semanas.
De acordo com o jornal digital Executive Digest, o cabaz alimentar voltou a subir na última semana, mais 67 cêntimos (0,27%), passando a custar 244,34 euros. Trata-se do segundo valor mais elevado desde o início desta monitorização, em janeiro de 2022. Há quase quatro anos, os mesmos produtos custavam menos 56,64 euros, o que representa uma diferença de 30,18%.
Café: o produto que mais encareceu
O café torrado moído é, neste momento, o produto com maior subida percentual desde o início do ano. Só na última semana, aumentou 71 cêntimos (mais 16%), passando a custar 5,13 euros por embalagem de 250 gramas. A 1 de janeiro, o mesmo produto custava 3,81 euros, menos 1,32 euros, o que significa que encareceu 34%. Em novembro de 2024, o preço era de apenas 3,03 euros, o que significa uma diferença de 2,10 euros num ano, um aumento de cerca de 70%.
Segundo os dados históricos da DECO PROTeste, a 5 de janeiro de 2022 o café torrado moído custava 2,99 euros, menos 2,14 euros do que atualmente, o equivalente a uma subida de 71% em quatro anos.
Como é calculado o preço do cabaz
Segundo a mesma fonte, desde janeiro de 2022 que a DECO PROTeste acompanha semanalmente o preço de um conjunto de bens alimentares essenciais, recolhendo dados nas principais cadeias de supermercados com loja online.
O preço de cada produto é calculado com base na média dos valores disponíveis, sendo depois somado para determinar o custo total do cabaz alimentar.
Produtos com maiores subidas
Na última semana, além do café torrado moído, os produtos com maiores aumentos percentuais foram o atum em posta com óleo vegetal (mais 21%), a massa em espirais (mais 15%) e o óleo alimentar (mais 11%).
Comparando com o início do ano, a 1 de janeiro de 2025, destacam-se ainda as subidas dos ovos (mais 32%), do esparguete (mais 22%) e das laranjas (mais 20%). Desde o arranque da monitorização, em 2022, os maiores aumentos acumulados registam-se na carne de novilho para cozer (mais 97%), nos ovos (mais 86%) e nos cereais integrais (mais 72%).
Três anos de subidas sucessivas
De acordo com a mesma fonte, a guerra na Ucrânia foi um dos principais fatores que pressionou o setor agroalimentar desde 2022, ao limitar o fornecimento de cereais e matérias-primas essenciais à produção europeia. O aumento dos custos com energia e fertilizantes agravou ainda mais a situação, refletindo-se nos preços da carne, dos cereais e de vários produtos hortícolas.
Em abril de 2023, o Governo chegou a aplicar uma isenção temporária de IVA sobre mais de 40 alimentos, o que travou momentaneamente as subidas. No entanto, após o fim da medida, os preços voltaram a aumentar de forma consistente, nomeadamente no azeite, nos ovos e agora no café torrado moído.
Inflação mostra sinais de abrandamento
Apesar da persistência das subidas no setor alimentar, a inflação global tem vindo a moderar-se. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa média anual fixou-se nos 2,4% em 2024, abaixo dos 4,3% registados em 2023 e dos 7,8% de 2022. Em outubro de 2025, as estimativas apontam para novo abrandamento, com a inflação a situar-se nos 2,3%.
Ferramentas para poupar
A DECO PROTeste recomenda aos consumidores que comparem os preços entre supermercados antes de fazer as compras semanais. O seu simulador “Saber Poupar”, disponível online, permite verificar o custo do mesmo cabaz alimentar por distrito ou concelho e identificar as lojas mais económicas.
Segundo a Executive Digest, esta ferramenta, atualizada diariamente, ajuda a escolher onde comprar com base no índice de preços de cada cadeia de distribuição, oferecendo uma visão prática das variações do mercado e das melhores oportunidades para reduzir despesas.
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