A frase foi atribuída à deputada regional Marta Freitas, do PS Madeira: “as pessoas na Madeira vivem em média menos dois anos do que os cidadãos do continente”. A declaração foi partilhada nas redes sociais e levou muitos a procurar confirmação em números oficiais sobre a esperança de vida em Portugal.
Aquando da afirmação, a discussão ganhou tração online, com perguntas sobre se o valor “menos dois anos” era rigoroso ou apenas uma forma de falar. Para esclarecer, vários utilizadores apontaram para as estatísticas do Instituto Nacional de Estatística (INE) e para verificações independentes.
Uma dessas verificações foi feita pelo Polígrafo, que analisou os dados mais recentes disponíveis e confrontou a afirmação com os indicadores oficiais de esperança média de vida.
O que dizem os dados mais recentes do INE
De acordo com o INE, no triénio 2022-2024, a esperança média de vida à nascença na Região Autónoma da Madeira foi estimada em 79,26 anos (cerca de 79 anos e três meses).
No mesmo período, a média do Continente foi de 81,55 anos (cerca de 81 anos e sete meses), o que traduz uma diferença de um pouco mais de dois anos.
Ou seja, olhando apenas para este indicador, a frase partilhada pelo PS Madeira fica validada pelos números mais recentes usados nas comparações públicas.
E aos 65 anos? A diferença diminui, mas mantém-se
A mesma análise considera a esperança média de vida aos 65 anos, um indicador que estima quantos anos adicionais, em média, uma pessoa pode esperar viver a partir dessa idade.
Neste caso, o Polígrafo indica que, no triénio 2022-2024, a esperança de vida aos 65 anos é de 18,56 anos na Madeira e de 20,08 anos no Continente, uma diferença de cerca de um ano e meio.
Ainda que o intervalo seja menor do que à nascença, a tendência mantém-se: os valores do Continente continuam acima dos da Madeira.
Veredicto e por que razão este tema volta sempre
Com base nos indicadores oficiais, e de acordo com o Polígrafo, a afirmação é verdadeira, sublinhando que a diferença à nascença ultrapassa efetivamente os dois anos no período mais recente analisado.
O INE tem vindo a mostrar que a esperança de vida não é uniforme no país e que existem diferenças relevantes entre regiões, o que ajuda a explicar por que motivo este tipo de comparação volta, regularmente, ao debate político e público.
Já quanto às causas, os dados estatísticos por si só não “explicam” o porquê da diferença, mas servem para enquadrar a discussão com números concretos e comparáveis.
















