Passagem da depressão Claudia por Portugal Continental e pela Madeira trouxe vento forte, chuva persistente e um rastro de estragos que começou a ser contabilizado esta sexta-feira. Entre quedas de árvores, estradas inundadas e centenas de ocorrências registadas pela Proteção Civil, há um dado que marca a força do fenómeno: a maior rajada de vento atingiu os 127,1 km/hora.
De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), esse valor extremo foi registado nas Penhas Douradas, na Serra da Estrela, durante a tarde de quinta-feira.
O mau tempo esteve associado a ventos muito fortes e agitação marítima significativa, que colocaram várias regiões sob aviso vermelho e laranja ao longo do dia.
Onde o vento soprou mais forte
Segundo o IPMA, logo a seguir às Penhas Douradas surge o Cabo da Roca, em Sintra, onde foi registada uma rajada de 124,2 km/hora. Estes valores enquadram-se nos fenómenos de vento extremo que ocorreram um pouco por todo o território continental durante a passagem da depressão.
Na Madeira, o vento também atingiu valores muito elevados. De acordo com a mesma fonte, a zona do Areeiro registou rajadas de 116,3 km/hora, enquanto outro registo significativo, de 112,3 km/hora, ocorreu noutra estação da ilha.
Os valores refletem a intensidade do sistema depressivo, que afetou o arquipélago com particular força na madrugada de quinta-feira.
Estragos de norte a sul
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) detalha que, até às 21 horas de quinta-feira, foram registadas 2.106 ocorrências associadas ao mau tempo.
Segundo a ANEPC, a região de Lisboa e Vale do Tejo foi a mais afetada, com 1.196 incidentes, seguida pela região Centro com 477 e pelo Algarve com 203. No Norte contabilizaram-se 130 ocorrências e no Alentejo 100.
Entre os danos registados contam-se casas inundadas, aluimentos de vias, árvores derrubadas e viaturas submersas. A ANEPC confirmou ainda duas vítimas mortais em Fernão Ferro, no distrito de Setúbal, onde a precipitação intensa e as rajadas de vento estiveram na origem de vários incidentes graves. Houve ainda um ferido ligeiro e quatro pessoas desalojadas.
Avisos continuam, mas com menor intensidade
Embora as condições meteorológicas tenham melhorado ligeiramente esta sexta-feira, o mau tempo continua a afetar o país.
De acordo com a publicação do IPMA, os distritos de Setúbal e Faro mantêm aviso laranja devido à chuva e ao vento forte, enquanto o restante território permanece sob aviso amarelo.
A depressão Claudia deverá perder intensidade ao longo do fim de semana, mas os serviços de proteção civil recomendam que se mantenham as precauções, sobretudo em zonas historicamente vulneráveis a inundações rápidas e queda de árvores, devido à chuva e ao vento.
















