A TAP prepara-se para perder um dos principais responsáveis pela sua operação. Mário Chaves, administrador executivo com o pelouro operacional e número dois do presidente executivo Luís Rodrigues, vai deixar a companhia no final de agosto para integrar a transportadora estatal do Azerbaijão, numa mudança que acontece antes da conclusão do processo de privatização da empresa portuguesa.
De acordo com o Expresso, o gestor português assumirá funções na AZAL Airlines CJSC, onde terá como missão apoiar o plano de crescimento da companhia, que pretende mais do que duplicar a dimensão da sua frota nos próximos três anos.
A decisão surge numa fase particularmente sensível para a TAP, que continua a preparar o processo de privatização. A publicação adianta que a indefinição em torno do futuro da administração terá pesado na decisão de Mário Chaves. O gestor não terá recebido garantias de continuidade depois de concluída a privatização, circunstância que terá contribuído para aceitar o novo desafio internacional.
Percurso ligado à recuperação da operação
De salientar que Mário Chaves integrou a administração da TAP em 2023, poucos meses antes da entrada de Luís Rodrigues para a presidência executiva. Desde então, assumiu a responsabilidade pela área operacional, coordenando um conjunto de medidas destinadas a melhorar o funcionamento diário da companhia. Entre as suas funções estavam a gestão da operação aérea e o acompanhamento do serviço de handling, considerado essencial para o desempenho da transportadora.
Durante a atual gestão, a TAP registou melhorias operacionais que foram sendo apontadas como um dos sinais de estabilização da empresa. Mário Chaves é visto no setor da aviação como um dos responsáveis pela reorganização das rotas, pela redução dos atrasos e pela melhoria do relacionamento com várias estruturas sindicais, incluindo os pilotos.
Destino já definido
Ao contrário de outras saídas da administração da companhia, o futuro profissional do gestor já está traçado. A AZAL Airlines CJSC, empresa estatal do Azerbaijão, pretende acelerar a sua expansão internacional e escolheu o antigo piloto português para colaborar nesse processo. A companhia tem previsto um crescimento significativo da frota nos próximos três anos.
A mudança não terá sido repentina. A publicação refere que os contactos entre o gestor e a companhia do Azerbaijão decorriam há mais de dois meses.
Ligação antiga ao setor da aviação
Antes de chegar à administração da TAP, Mário Chaves construiu a sua carreira como piloto da companhia, sendo conhecido no setor como “comandante”. Passou ainda pela SATA, onde trabalhou com Luís Rodrigues no processo de reestruturação da transportadora açoriana, e exerceu funções como diretor-geral da Portugália antes de regressar à TAP para integrar a equipa de gestão.
A saída acontece num contexto em que a administração executiva da TAP continua sem contrato de gestão formalizado.
Além dessa situação, escreve o Expresso, os administradores mantêm por repor os cortes salariais aplicados durante o plano de reestruturação iniciado em 2021. Com a partida de Mário Chaves, a companhia perde um dos responsáveis pela reorganização operacional dos últimos anos, precisamente numa fase em que se aproxima uma nova etapa da sua história.
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