O setor do retalho alimentar e especializado continua a enfrentar mudanças rápidas em Portugal, com várias marcas a reverem operações, reduzirem custos e abandonarem segmentos considerados menos rentáveis. Nos últimos meses, uma dessas decisões acabou por atingir uma conhecida cadeia dedicada a chocolates e gomas, que desapareceu em definitivo do mercado nacional.
De acordo com o portal de notícias ECO, o grupo Jerónimo Martins concluiu o encerramento de toda a rede de lojas Hussel em Portugal, terminando uma operação que chegou a ter 18 espaços comerciais distribuídos por diferentes cidades do país. Os últimos estabelecimentos fecharam portas a 27 de abril.
Últimas lojas encerraram em abril
As derradeiras unidades da marca funcionavam em centros comerciais como Amoreiras, Colombo e Vasco da Gama, em Lisboa, além do Via Catarina, no Porto, e espaços em Cascais e Sintra. Segundo a mesma fonte, o fecho destas lojas marcou o fim completo da presença da Hussel em território nacional.
O grupo liderado por Pedro Soares dos Santos optou por não revelar o custo total associado à operação de encerramento. Ainda assim, explica o portal, a decisão foi tomada após vários meses de dificuldades consideradas “insustentáveis”.
Problemas começaram fora de Portugal
Uma das origens da crise esteve relacionada com a situação da Hussel GmbH, empresa alemã que era acionista minoritária da operação ibérica. Conforme a mesma fonte, a insolvência da sociedade alemã em 2024 acabou por afetar diretamente o funcionamento da marca em Portugal.
A quebra da parceria criou problemas de abastecimento e retirou escala ao negócio. Acrescenta a publicação que, num contexto de subida generalizada dos custos, sobretudo das rendas comerciais, a continuidade da operação deixou de ser considerada viável.
Custos do cacau agravaram cenário
O aumento do preço do cacau também teve impacto nas contas da empresa. O ECO refere que a pressão sobre esta matéria-prima resultou de vários fatores internacionais, incluindo a redução da produção nos principais países produtores e as alterações climáticas que afetaram colheitas.
Ao mesmo tempo, a procura global continuou a aumentar, criando maior pressão sobre os preços. A futura aplicação do Regulamento Europeu Contra a Desflorestação foi outro elemento apontado como condicionante para o setor.
Trabalhadores foram redistribuídos
Quando anunciou o encerramento da Hussel no início do ano, a Jerónimo Martins garantiu que procuraria integrar os trabalhadores noutras áreas do grupo. Na altura, estavam em causa cerca de 60 colaboradores, muitos deles com contratos efetivos.
Segundo a mesma fonte, oito trabalhadores acabaram por ser integrados no Pingo Doce, passando a desempenhar funções ligadas à estrutura operacional da empresa. O grupo sublinhou que a prioridade era assegurar estabilidade profissional às equipas afetadas pelo encerramento.
Uma marca com prejuízos acumulados
Os resultados financeiros também pesaram na decisão. De acordo com a mesma fonte, a Hussel Ibéria registou prejuízos de 893.000 euros em 2024, representando uma deterioração significativa face ao ano anterior.
Após a insolvência da parceira alemã, a Jerónimo Martins passou a controlar totalmente a operação ibérica da Hussel. Ainda assim, refere a mesma fonte, o contexto económico e operacional acabou por inviabilizar qualquer tentativa de recuperação sustentável da marca.
Mercado continua sob pressão
O encerramento da Hussel surge numa altura em que vários segmentos do comércio especializado enfrentam mudanças nos hábitos de consumo, aumento dos custos operacionais e maior concorrência. Em centros comerciais, algumas marcas têm optado por reduzir presença física ou rever modelos de negócio. O grupo justificou a decisão com um “conjunto de fatores” que levou à conclusão de que não existiam “fundadas perspetivas de reversibilidade”. A descontinuação foi feita de forma progressiva ao longo dos últimos meses.
Apesar de ser uma marca conhecida no segmento dos chocolates e gomas, o desaparecimento da Hussel aconteceu sem grande exposição pública. O processo decorreu gradualmente, até ao encerramento das últimas lojas ainda em funcionamento. Com esta decisão, termina em Portugal a operação comercial da Hussel, uma cadeia que durante anos marcou presença em alguns dos principais centros comerciais do país e que acabou por não resistir às mudanças económicas e estruturais do setor.















