Um pastor de Detroit, conhecido tanto pelos seus sermões como pela carreira musical, tornou-se alvo de críticas nas redes sociais depois de censurar publicamente uma fiel que doou menos do que o valor que ele havia solicitado. O episódio foi filmado durante um culto e o vídeo depressa se tornou viral, deixando o pastor ‘debaixo de fogo’.
De acordo com o jornal britânico The Independent, o protagonista é Marvin Winans, pastor da Perfecting Church, uma megaigreja norte-americana com milhares de seguidores. Winans, de 67 anos, é também membro do grupo de gospel The Winans, vencedor de cinco prémios Grammy. A controvérsia surgiu durante o chamado Dia da Oferta, um serviço religioso dedicado a doações e contributos especiais.
Durante a cerimónia, uma mulher acompanhada pelo filho aproximou-se do altar e entregou ao pastor uma doação de 1.235 dólares. A reação de Winans apanhou todos de surpresa: “Agora, isso são só 1.200”, disse o pastor em voz alta.
“Não é o que lhe pedi”
Num tom de repreensão, o líder religioso insistiu que a fiel não tinha ouvido bem o pedido. “Se tem mil mais mil…”, afirmou, sugerindo que o montante correto seria de 2.000 dólares. A mulher respondeu que “iria tentar juntar o restante”, mas Winans cortou-lhe a palavra: “Isso não é o que eu pedi que fizesse”.
O momento, transmitido em direto no livestream da igreja, acabou por ser partilhado nas redes sociais e rapidamente gerou milhares de comentários indignados.
Um utilizador da plataforma Threads resumiu o sentimento geral: “Eu teria pegado no meu dinheiro de volta e nunca mais punha os pés naquele sítio”. Outro escreveu: “Depois admiram-se que as pessoas abandonem as igrejas, estes megapastores são verdadeiros comerciantes da fé”.
Reações e silêncio da igreja
A polémica ganhou tal dimensão que o jornal Atlanta Black Star e outros meios norte-americanos tentaram obter declarações da Perfecting Church, mas até ao momento a instituição não respondeu. O vídeo, entretanto, foi removido das páginas oficiais da igreja.
Apesar do silêncio, esta não é a primeira vez que Marvin Winans enfrenta críticas públicas. O pastor e músico já tinha sido notícia há dois anos devido a um processo movido pela cidade de Detroit, que acusava a sua igreja de violar normas de construção.
Um histórico de controvérsias
Segundo o Detroit Free Press, o município considerou o projeto de expansão da igreja, iniciado em 2004, um “incómodo público”, uma vez que as obras estavam paradas e sem licenças válidas desde 2015. O processo acabou arquivado após um acordo entre a autarquia e os responsáveis da igreja, mediante a apresentação de novos comprovativos de financiamento e autorização municipal.
Na altura, Winans agradeceu a oportunidade de resolver o impasse e afirmou, em comunicado, que a igreja “esperava cooperar plenamente com a cidade para concluir um projeto importante para a comunidade”.
Em 2024, a diretora executiva da Perfecting Church, Cindy Flowers, garantiu que as obras deveriam arrancar até outubro desse ano, com conclusão prevista para março de 2026, embora o estado atual do projeto permaneça desconhecido.
Acusações anteriores
O nome de Winans também surgiu num outro processo, em 2018, movido por uma ex-funcionária da igreja, Lakaiya Harris. A mulher alegava ter sido obrigada a doar parte do seu salário para comprar presentes de aniversário para supervisores e a entregar 10% dos rendimentos como dízimo.
Segundo a denúncia, Harris recusou cumprir essas exigências e acabou despedida. O caso, contudo, foi arquivado com prejuízo em 2021, o que significa que não pôde ser reaberto.
Um debate antigo sobre fé e dinheiro
De acordo com o The Independent, o incidente recente reacendeu o debate sobre as práticas financeiras de algumas igrejas evangélicas norte-americanas. Críticos acusam os chamados “megapastores” de enriquecer à custa das contribuições dos fiéis, enquanto defensores argumentam que as doações são voluntárias e sustentam projetos sociais e comunitários.
Nos Estados Unidos, os líderes religiosos não estão obrigados a revelar publicamente as finanças das suas igrejas, o que gera opacidade em torno das verdadeiras dimensões económicas de certas congregações.
O preço da fé
Embora o episódio tenha ocorrido num contexto local, o vídeo ultrapassou fronteiras e reacendeu uma questão global: até que ponto a fé deve misturar-se com dinheiro? Para muitos, o gesto de Winans foi um sinal de desrespeito pelos fiéis e pelos princípios que a própria religião defende.
O pastor, por sua vez, ainda não comentou o caso. Mas nas redes sociais, a sua reputação, construída ao longo de décadas de pregações e música gospel, enfrenta agora um teste mais difícil: o julgamento da opinião pública.
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