Nos últimos anos, vários destinos fora da Europa têm atraído cada vez mais reformados que procuram um quotidiano mais acessível e tranquilo. Este artigo centra-se em Agadir, cidade marroquina conhecida como a “pérola do sul”, que se tem destacado como refúgio para muitos reformados franceses em busca de clima ameno, custos mais baixos e melhor qualidade de vida.
O aumento contínuo do custo de vida em França tem levado muitos reformados a ponderar uma mudança definitiva ou sazonal para países mais económicos. Espanha, Portugal e Senegal foram durante muito tempo os destinos favoritos, mas Agadir tem vindo a ganhar terreno como opção cada vez mais valorizada entre quem procura conforto com menor pressão financeira, de acordo com o jornal digital espanhol HuffPost.
Com um clima temperado ao longo de todo o ano e mais de 300 dias de sol, a cidade tornou-se especialmente apelativa para quem deseja viver junto ao mar sem enfrentar os rigorosos invernos europeus. Um dos reformados entrevistados descreve esta nova rotina como libertadora, afirmando: “Vivemos ao ar livre quase todo o ano; é bom para o ânimo e para a saúde”.
Um custo de vida muito inferior ao europeu
A questão económica continua a ser um dos principais motivos que impulsiona a mudança. Vários reformados relatam que, em Agadir, conseguem cobrir alojamento, alimentação e despesas essenciais com cerca de 900 a 1.000 euros mensais, algo impossível de igualar em França para um estilo de vida semelhante.
Nathalie e Yves, naturais de Marselha, instalaram-se em Agadir em 2014. Explicam, citados pela mesma fonte, que o custo de vida local é sensivelmente metade do que tinham em França, permitindo-lhes viver numa casa espaçosa com jardim por 800 euros mensais. Nathalie destaca ainda o preço reduzido dos alimentos no mercado local: “Quando vou ao souk de Agadir, gasto menos de dez euros em frutas e legumes, suficiente para uma semana”.
Mais tranquilidade e um ambiente propício à adaptação
Para além do clima e do custo reduzido, Agadir oferece um quotidiano mais calmo do que outras cidades marroquinas, como Marraquexe. Os reformados, neste caso franceses, valorizam a proximidade da praia, a facilidade em praticar atividades ao ar livre, a sensação de segurança e a presença consolidada de uma comunidade francófona, que facilita a integração.
A própria Nathalie conta que a decisão surgiu após um episódio que a marcou durante uma viagem: “Falei com uma mulher no avião que nos disse que, com 1000 euros por mês, tinha casa, alimentação e até dinheiro para voar uma vez por mês para visitar os filhos. Pensámos: porque não…?”.
Esta mudança de vida afetou também a mãe de Nathalie, Jo, que decidiu juntar-se à filha depois de enviuvar, de acordo com a mesma fonte. Sobre a sua nova rotina, refere: “Já não cozinho aqui; vou a restaurantes todos os dias, algo impensável em França”.
Procedimentos de residência e vantagens fiscais
Adotar Agadir como residência implica alguns passos formais, nomeadamente a obtenção de uma autorização de residência anual e renovável. A abertura de conta num banco local pode trazer vantagens fiscais, reforçando o atrativo para quem pretende permanecer no país por períodos mais longos.
Para muitos reformados franceses, esta combinação de clima agradável, vida acessível, segurança e integração fácil tem transformado Agadir numa alternativa sólida para uma reforma mais leve e economicamente sustentável, de acordo com o HuffPost.
Ligação entre Agadir e Portugal
Além disso, Agadir mantém uma ligação relativamente acessível a Portugal, o que torna a cidade ainda mais apelativa para quem quer viver fora sem se afastar demasiado da família e dos antigos hábitos na Europa. A partir de Lisboa e do Porto existem voos diretos operados sobretudo por companhias de baixo custo, como a Ryanair, com tempos de viagem na ordem de 1h50 a 2h05, consoante o aeroporto de partida.
Em algumas épocas do ano, outras transportadoras como a TAP ou companhias estrangeiras também oferecem ligações com escala, aumentando as opções de preço e horário. Esta proximidade aérea permite viagens relativamente curtas e frequentes, facilitando visitas regulares a Portugal ou a receção de familiares, o que torna a mudança para Agadir mais leve e emocionalmente sustentável para muitos reformados.
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