A União Europeia (UE) quer mudar as regras do turismo no espaço europeu e aliviar a pressão sobre os destinos mais saturados. A proposta passa por desviar parte dos viajantes para zonas rurais, regiões de montanha e locais menos visitados, numa tentativa de corrigir um desequilíbrio que leva 80% dos turistas a concentrarem-se em apenas 10% dos destinos.
De acordo com o portal espanhol HuffPost, a iniciativa foi aprovada a 18 de março pela Comissão dos Transportes e do Turismo do Parlamento Europeu e representa o primeiro passo para uma reforma mais ampla do setor.
Em causa está a crescente pressão sobre cidades e regiões que enfrentam problemas como excesso de visitantes, subida dos preços, perda de habitação para residentes e danos nos ecossistemas locais.
Bruxelas quer repartir melhor os turistas
O diagnóstico traçado pelas instituições europeias é claro: uma parte muito elevada dos viajantes continua concentrada num número reduzido de destinos, enquanto muitas outras regiões permanecem fora dos roteiros mais procurados.
Para responder a esse desequilíbrio, os eurodeputados defendem uma estratégia que incentive a procura de locais menos conhecidos, ao longo de todo o ano, e não apenas nos meses de maior afluência.
A intenção é criar um modelo mais equilibrado, capaz de reduzir a pressão sobre os chamados destinos icónicos e, ao mesmo tempo, gerar novas oportunidades económicas em zonas menos visitadas.
Turismo especializado é uma das apostas
Entre as medidas em cima da mesa está o reforço do chamado turismo especializado, com propostas ligadas a experiências gastronómicas, enoturismo, programas culturais e turismo regenerativo.
A ideia é atrair visitantes para outros territórios e combater a forte concentração sazonal que marca hoje grande parte do turismo europeu.
Ao mesmo tempo, Bruxelas quer facilitar o acesso a esses destinos emergentes, considerando que essa poderá ser uma das chaves para alterar os hábitos de viagem no espaço europeu.
Mais ligações para zonas menos visitadas
Um dos pilares desta estratégia passa pela melhoria da conectividade. A proposta prevê reforço das ligações aéreas, ferroviárias e marítimas para regiões menos procuradas pelos turistas.
Entre as soluções apontadas estão também os comboios noturnos transfronteiriços e sistemas de bilhética integrada, que permitam combinar diferentes meios de transporte numa única reserva.
Os responsáveis consideram que, se viajar para estes destinos se tornar mais simples, parte da procura poderá começar a sair dos circuitos mais tradicionais.
Bruxelas quer apertar regras no alojamento turístico
A reforma em discussão também olha para o impacto dos alojamentos turísticos de curta duração. Apesar de novas regras europeias entrarem em vigor a 20 de maio de 2026, muitos legisladores consideram que isso pode não ser suficiente.
Segundo a proposta, o crescimento descontrolado deste tipo de arrendamento está a reduzir a oferta de habitação, a aumentar preços e a fragilizar a vida local em vários destinos.
Por isso, Bruxelas admite medidas mais apertadas, incluindo limites ao número de noites de arrendamento, sistemas de licenciamento e regras de zonamento aplicadas pelas autoridades locais.
Turismo mais sustentável e com impacto local
Outra das frentes passa pelo uso de taxas turísticas como instrumento para financiar infraestruturas, proteger o ambiente e compensar parte do impacto do turismo nas comunidades.
Ao mesmo tempo, a proposta aborda a falta de mão de obra no setor, defendendo a criação de um cartão europeu de qualificações para facilitar a mobilidade laboral.
O plano coloca ainda em destaque o papel das comunidades locais, dos trabalhadores culturais, das associações e dos voluntários, vistos como peças importantes na preservação do património e na criação de experiências mais autênticas.
Votação final será decisiva
A resolução aprovada ainda terá de ser ratificada pelo plenário do Parlamento Europeu, numa votação prevista para este mês.
Esse momento será decisivo para perceber se a União Europeia está preparada para avançar com uma estratégia mais ampla de turismo sustentável e redistribuído.
A mensagem política já é clara: Bruxelas quer um novo equilíbrio para o turismo na Europa, num momento em que várias regiões enfrentam os efeitos de um modelo cada vez mais concentrado e pressionado pelo excesso de visitantes.
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