O município de Tres Cantos, na Comunidade de Madrid, está a recorrer ao ADN canino para identificar os donos que deixam dejetos na via pública, aplicando multas entre 300€ e 600€, numa estratégia que pretende reforçar a limpeza urbana e o uso responsável do espaço público.
A informação foi avançada pelo jornal espanhol AS, que revelou que o concelho decidiu avançar com um sistema de identificação genética aplicado a excrementos recolhidos na rua.
O objetivo, segundo declarações citadas na imprensa, é simples e direto: reduzir a presença de dejetos em passeios e parques e aumentar a responsabilização de quem passeia cães.
Como funciona o sistema: recolhas aleatórias e comparação com uma base de dados
Ao contrário do que muitos imaginam, não se trata de uma “patrulha” permanente à procura de infrações a cada esquina. A lógica passa por ações em dias aleatórios, em que um técnico de laboratório e um agente policial percorrem zonas do concelho para localizar dejetos não recolhidos.
Depois, é feito o trabalho “invisível”: os excrementos são analisados e o ADN canino é comparado com uma base de dados de cães registados, permitindo chegar ao animal e, por consequência, ao respetivo dono.
O município já tinha vindo a preparar este tipo de controlo, com iniciativas de registo de ADN associadas a prazos e procedimentos definidos localmente, precisamente para viabilizar a identificação quando surgem ocorrências na rua.
Coimas de 300€ a 600€ e o “efeito reincidência”
As sanções previstas apontam para um intervalo claro: a primeira multa poderá começar nos 300 euros e, em caso de reincidência, subir até aos 600 euros, segundo informação divulgada nos meios espanhóis.
A Câmara local enquadra estas coimas como uma ferramenta para melhorar a limpeza e permitir que “aceras e parques” sejam usufruídos em melhores condições, numa lógica de convivência e saúde pública.
Em Telemadrid, o vereador de Saúde Pública, Mario Arancón, resume a intenção com uma frase que tem sido replicada: “El objetivo fundamental es la limpieza de las calles, tener todas las aceras y parques del municipio limpios de excrementos para que podamos disfrutar de ellos de la mejor manera posible”.
Não é caso único: Torrejón também apertou regras e multas
Tres Cantos não está sozinho nesta linha de maior controlo. Em Torrejón de Ardoz, o município lançou um “Plan de Choque Permanente de Limpieza”, com reforço de sanções para comportamentos considerados básicos, incluindo a deposição incorreta de resíduos e a falta de recolha de dejetos caninos.
Segundo nota oficial da autarquia, não recolher os excrementos é sancionado com multas desde 300 euros e existe ainda a obrigação de levar uma garrafa de água para limpar os urinos, além de coimas desde 90 euros para quem deixe lixo fora dos contentores.
A lógica, tal como noutras medidas municipais, junta dois objetivos: reduzir sujidade visível no espaço público e criar um efeito dissuasor que mude hábitos no dia a dia.
O debate que fica: civismo, fiscalização e “tolerância zero”
Este tipo de medidas tende a dividir opiniões: há quem as veja como “tolerância zero” necessária, sobretudo em zonas com muita circulação, e quem levante dúvidas sobre o alcance da fiscalização e o equilíbrio entre controlo e sensibilização.
Segundo o AS, e para as autarquias, o argumento é pragmático: quando campanhas pedagógicas não chegam, sobram instrumentos de fiscalização com coimas significativas para travar comportamentos repetidos e difíceis de controlar.
Em Tres Cantos, a aposta no ADN canino procura exatamente isso: transformar um problema diário, dejetos deixados na rua, num ato rastreável e sancionável, com o recado claro de que a limpeza passa a ter consequências no bolso.
















