As viagens de Natal e de fim de ano poderão enfrentar um dos períodos mais caóticos dos últimos anos devido a uma sucessão de greves que atravessa diversos aeroportos europeus, incluindo Portugal. De acordo com a Executive Digest, site especializado em economia e atualidade, paralisações já estão marcadas em vários países ao longo de dezembro e no arranque de janeiro, num momento em que milhões de passageiros se preparam para viajar.
A conjugação de protestos em diferentes setores da aviação ameaça provocar atrasos, cancelamentos e longas filas, com maior incidência nos dias tradicionalmente mais movimentados da época festiva.
Segundo a mesma publicação, os trabalhadores justificam a escolha desta altura do ano com a necessidade de visibilidade e pressão negocial, num contexto marcado por reivindicações relacionadas com salários, condições de trabalho e instabilidade laboral.
O resultado é um cenário europeu fragmentado, com algumas greves previstas com grande antecedência e outras anunciadas em cima da hora, dificultando o planeamento dos viajantes.
Itália prepara paralisação coordenada
Em Itália, está agendada para 17 de dezembro uma greve coordenada de quatro horas, envolvendo trabalhadores de assistência em terra, pessoal de bordo e controladores de tráfego aéreo. A paralisação ocorre entre as 13:00 e as 17:00 e afetará operações de companhias como Ryanair, Wizz Air, easyJet, ITA Airways ou Vueling.
De acordo com a Executive Digest, aeroportos em cidades como Milão, Roma, Veneza, Nápoles ou Catânia poderão sentir perturbações durante todo o dia, com atrasos acumulados e maior tempo de espera nos balcões de check-in e na recolha de bagagens.
As autoridades italianas publicaram inclusive uma lista de voos garantidos para minimizar o impacto, mas alertam que a greve, apesar de curta, poderá refletir-se muito além das quatro horas anunciadas.
Londres e o Reino Unido enfrentam dias tensos
No Reino Unido, vários aeroportos de Londres antecipam semanas complicadas. Trabalhadores de handling da easyJet no aeroporto de Luton estarão em greve entre 19 e 22 de dezembro e, novamente, entre 26 e 29 do mesmo mês.
Segundo a publicação, estes protestos podem afetar o processamento de bagagens e o check-in, aumentando os tempos de espera.
Já no aeroporto de Heathrow, as atenções estão centradas nos dias 22, 23, 24 e 26 de dezembro, devido à greve das tripulações da SAS. As ligações aos principais destinos escandinavos são as mais expostas. O sindicato Unite relatou que muitos trabalhadores enfrentam salários insuficientes para suportar o custo de vida nas cidades onde pernoitam, o que levou a um descontentamento profundo dentro da empresa.
Espanha prolonga as greves até ao final do ano
Em Espanha, o setor de handling continua em tensão. A Azul Handling, parceira da Ryanair, mantém greves semanais até 31 de dezembro, abrangendo períodos da manhã, tarde e noite.
Isto tem provocado, de acordo com a Executive Digest, atrasos frequentes nos aeroportos de Barcelona-El Prat, Madrid-Barajas, Málaga, Palma de Maiorca, Tenerife Sul, Santiago de Compostela e Valência, entre muitos outros.
As paralisações, que começaram no verão, continuam a causar constrangimentos significativos na entrega de bagagens e no fluxo de passageiros.
Portugal também entra na lista
Portugal não escapa às perturbações. Os trabalhadores da SpdH/Menzies anunciaram greve para 31 de dezembro e 1 de janeiro, abrangendo Lisboa, Porto, Faro, Funchal e Porto Santo. O pré-aviso, emitido pelos sindicatos Sitava e STHAA, denuncia a incerteza resultante do processo de concurso para a atribuição das licenças de assistência em escala. Estão em causa mais de 3.700 postos de trabalho, segundo a Executive Digest.
Os sindicatos exigem garantias formais de salvaguarda dos direitos dos trabalhadores, incluindo a eventual transmissão de estabelecimento caso outro operador avance para a exploração dos serviços.
O que os passageiros devem ter em conta
Perante tantas greves sobrepostas, os especialistas recomendam que os passageiros confirmem o estado dos voos com regularidade e se desloquem para o aeroporto com maior antecedência.
Em caso de atraso significativo ou cancelamento, prevê-se a aplicação do Regulamento Europeu 261/2004, que pode garantir reencaminhamento, reembolso ou compensações, dependendo da situação.
Num período tão sensível como o Natal, a incerteza mantém-se elevada, e viajar pode exigir mais paciência do que o habitual.
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