Cartago foi uma colónia fenícia, próximo da atual cidade de Tunes. Com o declínio do poderio das cidades Fenícias pela sua conquista por Ciro, o Grande, da Pérsia, em 539 ac. e depois por Alexandre, o Grande, da Grécia em 332 ac., as cidades foram destruídas e grande parte da população morta. Cartago, já uma colónia bem-sucedida, recebeu muitos dos fugitivos das cidades fenícias e rapidamente se tornou o centro comercial mais importante e, posteriormente, a capital de um império que dominou grande parte do sudoeste do Mediterrâneo.
Ao contrário do que era a tradição fenícia, a ocupação dos territórios no Sul da Península implicou a destruição de Tartesso e das elites regionais indígenas e um efetivo domínio cartaginês. Tartesso desaparece e até hoje ainda não foi encontrada, embora se presuma estar situada entre a foz do Odiel e a do Guadalquivir. Turdetanos e Túrdulos são os territórios em que se dividem os territórios do reino de Tartessos. Embora a influência de Cartago se tenha estendido para Norte nos territórios Iberos, todavia, no Oeste e Noroeste, as populações célticas não foram influenciadas, mantendo a sua cultura e línguas indo-europeias, embora comerciassem com os cartagineses através de outros, como antes faziam com os fenícios.

Professor coordenador (aposentado).
Escola Superior de Educação e Comunicação, Universidade do Algarve
Na Guerra entre Roma e Cartago, o domínio cartaginês da Península Ibérica determinou a tentativa dos Romanos, em 218 ac., de conquista da Península Ibérica que permitia a Cartago suprimentos e homens e uma base importante no confronto com Roma. A primeira investida romana começa, precisamente por Emporium, a antiga colónia grega. Não obstante o apoio dos povos indígenas que comerciavam com Cartago, os romanos acabaram vencer e expulsá-los da Península em 206 ac. A derrota dos cartagineses não garantiu a ocupação da Península. A partir de 194 ac., registraram-se choques com Celtiberos e Lusitanos, assim como nos territórios mais prósperos da Andaluzia em que a disputa foi mais acesa. Cerca de 138 ac., Roma dominava o antigo território dos Iberos. A conquista da Península Ibérica prossegue paulatinamente com a chegada à Cantábria em 29 ac., no entanto povos insubmissos continuaram uma luta de guerrilha e a “Pax Romana” só foi conseguida no século I dc. A guerra na Península foi sobretudo uma guerra entre os dois impérios da época por mais território, fontes de recursos, minerais e agrícolas, e base de apoio militar, como agora estamos vivendo na Europa.

Ao contrário dos anteriores, os Romanos efetivamente tomaram posse do território, militarmente, mas sobretudo culturalmente: romanizaram os povos. Os iberos deixam de ser a contraparte. Os comerciantes agora são romanos, mesmo que sejam indígenas. A cultura passa a ser a romana e as cidades são agora as que os romanos fundaram. Embora em certas regiões, no séc. VI dc., ainda se usasse a língua ibérica, noutros locais, desde o séc. I dc. já não se encontram inscrições, nem nomes iberos e noutros, já não recordavam a sua língua. Todavia, nas regiões celtas, sobreviveram largamente o modo de vida, o folclore e as tradições e os povoados apresentavam características celtas. Os traços linguísticos celtas sobrevivem no sufixo briga nos topónimos, como Conímbriga (origem de Coimbra), Miróbriga (Santiago do Cacém), Cetóbriga (Setúbal) e Lacóbriga (Lagos).

Embora conhecida pelos Gregos como Ibéria, os fenícios e os cartagineses referiam-se à Península pelo nome de Span ou Spania, tendo como significado “oculto” (país escondido e remoto), embora, noutra versão, o nome derivaria de Hi-shphanim, ou “ilha de coelhos”, que abundavam no extremo sul da Península e por eles pouco conhecidos, donde derivaria o nome “Hispânia”, que os romanos sempre usaram.
Na atualidade, a genética de um europeu pode incluir partes idênticas de Yamnaya, de Celta e de agricultor anatólico, com uma gota de caçador-recolector. Os habitantes de um determinado local são descendentes dos que ali viveram num passado distante. Não há povos indígenas, nem o absurdo conceito de pureza racial. Todos vieram pelo Danúbio ou pelas estepes Russas, atravessando o Cáucaso ou o Próximo Oriente, de África ou do Oriente.
Leia também: A colonização Fenícia e Grega na península | Por José Manuel do Carmo
















