Nem todos os reformados recebem o que esperavam de reforma ao fim de uma vida de trabalho. De acordo com o Correio da Manhã, há um grupo que continua a perder, em média, mais de 300 euros por mês face ao restante universo de pensionistas. A diferença está documentada nos “Elementos Informativos e Complementares” que acompanham o Orçamento do Estado para 2026 (OE 2026) e ajuda a revelar desigualdades profundas que resistem há décadas no sistema de pensões português.
O relatório mostra que, no final de 2024, o valor médio mensal das pensões de velhice pagas pela Segurança Social situava-se nos 610,91 euros, um crescimento de 7,3% em comparação com 2023. No entanto, quando os números são analisados em detalhe, percebe-se que há beneficiários muito abaixo desse valor.
Entre os cerca de dois milhões de pensionistas, uma parte expressiva continua a receber pensões significativamente mais baixas: um retrato de desigualdade que o Estado ainda não conseguiu corrigir.
Disparidades que o tempo não apaga
Segundo o documento oficial, as disparidades entre os diferentes grupos de pensionistas diminuíram 2,3 pontos percentuais na última década, mas continuam a ser relevantes. A explicação passa por vários fatores estruturais, como carreiras contributivas mais curtas, longos períodos de trabalho informal e vínculos precários, que resultam em pensões reduzidas.
O Correio da Manhã destaca ainda que as profissões com salários mais baixos continuam a pesar fortemente nesta média, arrastando o valor global para baixo.
De acordo com a mesma publicação, muitas das pessoas que hoje recebem pensões mais baixas trabalharam durante anos sem descontos regulares para a Segurança Social, quer por falta de vínculo laboral estável, quer por interrupções prolongadas na carreira. Essas falhas acumuladas resultam agora em reformas insuficientes, mesmo após uma vida inteira de trabalho.
Os números que o Orçamento revela
Os dados do OE 2026 mostram que, apesar das atualizações anuais e do aumento do número de beneficiários, a diferença entre as pensões mais baixas e as mais elevadas continua a ser expressiva. Em média, há um fosso de cerca de 334 euros mensais entre os grupos mais favorecidos e os que recebem menos.
Esta diferença traduz-se numa desigualdade persistente que se reflete não apenas na renda mensal, mas também na qualidade de vida dos reformados. Segundo o Correio da Manhã, muitos dos pensionistas com valores mais baixos enfrentam dificuldades para cobrir despesas básicas, como alimentação, rendas ou medicamentos.
Causas profundas e ritmo lento de correção
Embora o Governo sublinhe que a diferença entre pensões tem vindo a diminuir, o ritmo dessa convergência é lento. As medidas de correção aplicadas nos últimos anos, incluindo aumentos extraordinários para pensões mais baixas e revisões nas fórmulas de cálculo, têm atenuado a desigualdade, mas não a eliminaram.
O Correio da Manhã lembra que estas disparidades não se devem apenas à inflação ou ao custo de vida, mas sobretudo a um modelo contributivo que reflete as desigualdades salariais de décadas anteriores. Assim, quem ganhou menos durante a vida ativa, acaba inevitavelmente por receber menos na reforma.
Um problema que o futuro ainda não resolveu
Apesar das melhorias, o fosso entre as pensões mais baixas e as mais altas continua a marcar o panorama social português. As gerações que se estão agora a reformar beneficiam de carreiras mais estáveis e de maior igualdade salarial, o que pode reduzir a diferença no futuro. Contudo, segundo a mesma fonte, o impacto dessas mudanças só deverá ser visível daqui a várias décadas.
Por enquanto, o cenário mantém-se desigual. E, enquanto as novas medidas não produzirem efeitos concretos, há um grupo de reformados que continuará a perder centenas de euros todos os meses: não por falta de trabalho, mas porque o sistema ainda não conseguiu corrigir as marcas de um passado desigual.
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