A escalada dos preços da habitação e o aumento das rendas estão a empurrar milhares de reformados para situações cada vez mais precárias. Muitos recorrem a crédito para conseguir pagar os encargos, enquanto outros veem-se obrigados a mudar-se para quartos arrendados. De acordo com a DECO PROteste, associação de defesa do consumidor, a habitação ultrapassou o desemprego, o divórcio e a doença como a principal causa de endividamento das famílias portuguesas.
Sobre-endividamento entre pensionistas
De acordo com o Gabinete de Proteção Financeira da DECO PROteste, tem sido registado um aumento significativo de pedidos de apoio por parte de pensionistas.
Natália Nunes, responsável pelo gabinete, sublinha a mudança na origem desses pedidos e alerta para os efeitos da crise habitacional nos reformados mais vulneráveis. Muitos recorrem a crédito pessoal ou a cartões de crédito para pagar a renda, enquanto outros acabam por aceitar viver em quartos, algo que há alguns anos seria impensável para quem terminou a vida activa.
Desde o início do ano, cerca de três mil reformados procuraram informações ou apoio junto da mesma fonte, representando cerca de 15% do total de famílias endividadas acompanhadas pela associação. Mais de metade vive em casas arrendadas, quase 10% continua a pagar crédito à habitação e 11,5% habita em quartos ou em soluções precárias. Apenas 24% dispõe de casa própria.
Natália Nunes explica que estas famílias, com pensões médias de 1150 euros, suportam em média quatro créditos activos, com prestações mensais que rondam os 680 euros, elevando a taxa de esforço para cerca de 60%. “São reformados sem poupanças, confrontados com aumentos de despesas que vão da alimentação às rendas”.
Falta de alternativas e literacia financeira
A mesma fonte alerta ainda para a escassez de produtos financeiros acessíveis à pequena poupança. Segundo a mesma fonte, as taxas de juro dos depósitos a prazo nem sempre cobrem a inflação, tornando difícil acumular reservas para a reforma.
A associação defende a criação de soluções simples e transparentes, acessíveis a todos os cidadãos, bem como programas de literacia financeira implementados pelos municípios ou através de campanhas nas redes sociais.
O aumento das taxas Euribor desde 2022 agravou o endividamento das famílias com crédito à habitação, embora a descida recente das taxas e algumas medidas do Governo tenham aliviado a pressão. Ainda assim, a habitação continua a ser o maior desafio financeiro para os reformados.
No Dia Mundial da Poupança, a associação reforçou a importância de planear a reforma e apelou à intervenção do Estado para criar incentivos à poupança.
De acordo com a DECO PROteste, a situação dos reformados com rendimentos mais baixos é uma preocupação crescente.
A ausência de poupanças torna-os particularmente vulneráveis a despesas inesperadas, e a associação insiste na necessidade de respostas estruturadas que protejam esta fatia da população, cada vez mais pressionada entre pensões reduzidas e o crescimento das rendas.
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