A partir de janeiro de 2027, os consumidores residenciais em Portugal continental vão deparar-se com alterações nos horários das tarifas de eletricidade. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) propõe simplificar os períodos de consumo, tornando o sistema mais fácil de compreender e incentivando o uso da rede elétrica fora dos horários de maior procura. Nem todos, contudo, vão beneficiar financeiramente com as mudanças.
Tarifas bi-horária e tri-horária em destaque
De acordo com o jornal Público, especializado em economia e sociedade, as mudanças atingem sobretudo os clientes que utilizam tarifas bi-horária ou tri-horária.
Estes representam apenas 8% dos consumidores residenciais de baixa tensão normal. Os restantes 92% mantêm a tarifa simples, em que o preço da eletricidade é o mesmo durante todo o dia.
A tarifa diferenciada pode gerar poupanças, mas apenas se parte significativa do consumo for deslocada para as horas mais baratas, conhecidas como vazio normal e supervazio, evitando as horas cheias e de ponta, mais caras.
Segundo a mesma fonte, a ERSE quer motivar os clientes da tarifa simples a optar por regimes diferenciados de forma semelhante ao que já acontece com grandes consumidores industriais, evitando a necessidade de investimentos elevados nas redes de transporte de energia.
Novos ciclos horários mais claros
O ciclo diário passa a ter quatro períodos idênticos todos os dias da semana: horas de ponta, cheias, vazio normal e supervazio. A principal mudança concentra as horas de ponta num único período contínuo das 18h às 21h30, eliminando a divisão anterior entre manhã e final de tarde.
A distinção entre hora legal de inverno e verão também deixa de existir, considerada fonte de confusão para os consumidores.
No ciclo semanal, os quatro períodos permanecem, mas os preços diferem entre dias úteis, sábados e domingos. Nos dias úteis as horas de ponta mantêm-se no final do dia, aos sábados há um período contínuo de horas cheias e as horas de supervazio são distribuídas uniformemente.
Ainda assim mantém-se a distinção entre hora legal de verão e inverno nos dias úteis e aos sábados, ao contrário do que acontece aos domingos.
Impacto nas faturas
Segundo simulações da ERSE, um cliente que não ajuste o consumo ao novo horário pode ver um ligeiro aumento da fatura anual em regime bi-horário. No regime tri-horário a fatura tende a manter-se estável ou até diminuir ligeiramente.
Quem adaptar os consumos aos períodos mais baratos, chamado Cliente Ativo, pode poupar entre 1,95% e 2,61% assumindo um desvio de 6% do consumo para horários mais económicos.
Nos consumidores com painéis solares sem capacidade de armazenamento, as poupanças dependem da capacidade de deslocar a utilização para coincidir com a produção solar ou armazenar energia.
Segundo o Público, as alterações nos horários terão impacto limitado quando comparadas com os benefícios da produção própria de eletricidade, que continuam a ser significativos.
















