Na sua secção de perguntas frequentes, a Mercadona esclareceu que aceita “até 50 moedas por cada pagamento”, sejam “de igual ou diferente valor”, e, se tentar pagar com mais, a loja pode recusar e pedir outro meio de pagamento. A regra não é exclusiva da cadeia: a legislação europeia prevê que nenhum comerciante é obrigado a aceitar mais de 50 moedas numa única transação.
A dúvida é comum: muita gente junta moedas pequenas na carteira e tenta “despachar” tudo no supermercado, sobretudo em compras do dia a dia. O problema é que contar dezenas de moedas ao balcão pode atrasar a fila, e nem todas as lojas são obrigadas a aceitar qualquer quantidade.
No caso da Mercadona, e de acordo com o jornal espanhol AS, a resposta está escrita preto no branco: “aceitamos até 50 moedas por cada pagamento”, sem distinguir se são todas iguais ou de valores diferentes. A indicação aparece no seu espaço de perguntas frequentes e foi destacada em notícias publicadas em Espanha nos últimos dias.
Porque existe um limite (e não é “má vontade”)
Além da política da empresa, há uma base legal europeia: o regulamento que enquadra a introdução do euro estabelece que, salvo exceções (como a autoridade emissora), “nenhuma parte estará obrigada a aceitar mais de 50 moedas em um único pagamento”. Ou seja, o comerciante pode recusar acima desse número sem estar a infringir a lei.
Na prática, isto significa que, se chegar à caixa da Mercadona com um “saco” de moedas e ultrapassar as 50, o funcionário pode pedir-lhe para pagar a diferença com notas, cartão ou dividir o pagamento, desde que a loja aceite essa divisão.
Há ainda outro limite que pode apanhar clientes desprevenidos: em Espanha, o teto geral para pagamentos em numerário em certas operações desceu para 1.000 euros quando uma das partes atua como empresa ou profissional, segundo a Agência Tributária espanhola, citada pelo AS. É por isso que várias cadeias lembram que compras de valor elevado podem ter de ser pagas por cartão.
O que fazer se quer “despachar” moedas sem problemas
Se o objetivo é livrar-se de moedas acumuladas, o mais simples é usá-las em pagamentos pequenos e regulares, mantendo-se abaixo das 50 por compra. Assim evita recusas e, sobretudo, não transforma um pagamento de segundos numa operação longa.
Outra opção é trocar moedas no banco (ou usar serviços próprios de troca/depósito, quando disponíveis), em vez de levar grandes quantidades para a caixa do supermercado. Em muitos casos, esta solução é mais rápida e evita constrangimentos.
E se estiver na dúvida, o melhor é perguntar antes de começar a contar: com uma frase simples (“posso pagar com estas moedas?”) evita surpresas no fim, e, se passar o limite, ainda vai a tempo de escolher outro meio de pagamento.
O contexto: uma regra simples num gigante do retalho
O tema ganhou atenção em Espanha depois de notícias sublinharem o esclarecimento do Mercadona, uma cadeia com cerca de 1.600 lojas no país.
Dados de mercado citados pela imprensa especializada apontam que a Mercadona fechou 2025 com 36,9% de quota na “distribuição moderna”, segundo a consultora Algori, um peso que ajuda a explicar por que motivo regras práticas como esta acabam por gerar tanto interesse.
No essencial, fica a regra de bolso: até 50 moedas por pagamento. Se ultrapassar, a loja pode recusar, e a lei europeia dá cobertura a essa decisão.
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