Escolher um novo emprego já não depende apenas do valor que aparece no recibo de vencimento. O seguro de saúde está a assumir um peso cada vez maior nas decisões dos trabalhadores portugueses e quatro em cada dez admitem que este benefício foi importante na escolha da empresa onde trabalham.
Os dados constam do Barómetro de Benefícios 2026 da WTW e mostram uma evolução significativa em apenas dois anos. Atualmente, 40% dos trabalhadores consideram que o seguro de saúde teve importância na escolha do empregador. Em 2024, eram apenas 27%.
A diferença representa uma subida de 13 pontos percentuais e mostra como este benefício está a ganhar espaço entre os fatores avaliados antes de aceitar uma proposta de trabalho.
Seguro de saúde também ajuda a manter trabalhadores
A importância não termina no momento da contratação. Segundo o mesmo estudo, 43% dos trabalhadores consideram o seguro de saúde relevante para a decisão de permanecer na empresa onde trabalham.
O valor também aumentou consideravelmente face a 2024. Nesse ano, apenas 29% atribuíam ao seguro de saúde importância na decisão de continuar junto do mesmo empregador.
Ou seja, em dois anos, a percentagem aumentou 14 pontos percentuais.
Para as empresas, estes números mostram que os benefícios atribuídos aos trabalhadores podem ter influência não apenas na capacidade de contratar novos profissionais, mas também na sua retenção.
Trabalhadores dão cada vez mais importância aos benefícios
O seguro de saúde surge num contexto em que os portugueses estão a olhar com maior atenção para o pacote de benefícios oferecido pelas empresas.
De acordo com o Barómetro de Benefícios da WTW, fatores relacionados com saúde, bem-estar e proteção financeira assumem um papel relevante na forma como os trabalhadores avaliam aquilo que recebem para além do salário.
O seguro de saúde destaca-se particularmente porque permite aos trabalhadores aceder a uma rede privada de cuidados médicos nas condições previstas em cada apólice, que podem variar consoante o seguro contratado pela entidade empregadora.
Ter seguro da empresa não significa ter tudo incluído
Há, contudo, um detalhe que importa conhecer. Nem todos os seguros de saúde disponibilizados pelas empresas oferecem as mesmas coberturas.
Consultas, exames, hospitalização, medicina dentária ou medicamentos podem estar sujeitos a condições diferentes, dependendo da apólice. Também podem existir períodos de carência, limites anuais de utilização, franquias ou copagamentos.
Por esse motivo, ao comparar duas propostas de emprego, não basta saber que ambas incluem seguro de saúde. É importante perceber exatamente o que está coberto e quais são os encargos que continuam a ficar do lado do trabalhador.
Também deve ser verificado se o seguro permite incluir familiares e, nesse caso, se essa inclusão é suportada pela empresa ou implica um pagamento adicional.
Benefício já pesa na decisão de ficar ou sair
Os resultados ajudam ainda a perceber uma mudança naquilo que os trabalhadores valorizam. Embora a remuneração continue a ser uma componente fundamental de uma proposta de emprego, outros elementos do pacote laboral podem fazer diferença.
No caso do seguro de saúde, essa influência é agora particularmente evidente: 40% dizem que pesou na escolha do empregador e 43% consideram-no importante para decidir permanecer na empresa.
Os números representam uma mudança clara face a 2024 e mostram que um benefício que anteriormente podia ser encarado como um complemento está a assumir um peso crescente nas decisões profissionais dos portugueses.
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