Durante muitos anos, o cartão Multibanco foi um dos símbolos mais reconhecidos da modernização dos pagamentos em Portugal. Da simples ida ao caixa automático às compras no supermercado, tornou-se parte da rotina de milhões de pessoas e ajudou a criar uma relação de confiança com os meios de pagamento eletrónicos.
Agora, essa relação está a mudar. O cartão físico continua presente na carteira de muitos portugueses, mas o telemóvel, os relógios inteligentes, as pulseiras e os códigos QR estão a ganhar cada vez mais espaço no momento de pagar. Segundo o Banco de Portugal, mais de metade das compras com cartão em 2024 já foi feita com tecnologia contactless.
A mesma entidade indica que os pagamentos sem contacto cresceram 24% em quantidade e 26,9% em valor nesse respetivo ano.
Esta tecnologia foi usada em 1,4 mil milhões de operações, sobretudo no comércio a retalho e na restauração, dois setores onde os pagamentos rápidos fazem parte do dia a dia dos consumidores.
Telemóvel é o novo cartão
O telemóvel tornou-se um dos principais rivais do cartão Multibanco físico. Através de aplicações como o MB WAY, é possível pagar em lojas por aproximação, recorrendo à tecnologia NFC, ou através de código QR, sem necessidade de usar o cartão na máquina.
Na página oficial do MB WAY, a aplicação é apresentada como uma forma de pagar em lojas físicas através de QR Code ou NFC, além de permitir pagamentos online com o número de telemóvel. A própria plataforma já assinala ter chegado aos 7 milhões de utilizadores, o que mostra a dimensão que este serviço ganhou em Portugal.
A expansão não se limita ao MB WAY. Serviços como Apple Pay e Carteira do Google também permitem adicionar cartões bancários ao telemóvel e fazer pagamentos por aproximação em terminais compatíveis. A Apple disponibiliza uma lista de bancos e emissores associados em Portugal, enquanto a Google explica que os pagamentos móveis dependem dos cartões e bancos suportados em cada país.
Segurança continua a ser decisiva
Uma das razões que ajuda a explicar esta mudança e o menor uso do cartão Multibanco está na segurança. Nos pagamentos móveis, o número real do cartão não tem de ser mostrado ao comerciante da mesma forma que aconteceria numa utilização tradicional do cartão físico.
A Apple explica que, no Apple Pay, o número do cartão nunca é partilhado com a aplicação ou o site usado no pagamento. Já a Google refere que os pagamentos por aproximação recorrem a códigos de pagamento encriptados para ocultar o número real do cartão.
No caso do MB WAY NFC, a página oficial do serviço indica que são usados protocolos e algoritmos de segurança para garantir a confidencialidade, integridade e autenticação dos dados transmitidos, processados e armazenados. A mesma fonte refere ainda que as comunicações e transações são monitorizadas permanentemente por uma equipa dedicada à prevenção e deteção de fraude.
Pagamentos no pulso
Os pagamentos através de dispositivos usados no corpo, como relógios, pulseiras ou porta-chaves, também começam a fazer parte deste novo cenário. Em Portugal, o MB WAY pulse permite associar dispositivos ao serviço MB WAY e pagar em terminais contactless, sem precisar de usar o cartão físico.
Segundo a página oficial do MB WAY pulse, existem diferentes formatos, incluindo band, watchloop, tag e keychain. A mesma fonte indica que estes dispositivos podem ser associados ao cartão pretendido através da aplicação MB WAY, com possibilidade de definir limites e bloquear o dispositivo quando necessário.
Apesar disso, estes pagamentos ainda parecem ter uma utilização mais limitada do que o telemóvel ou o cartão contactless. A sua vantagem está sobretudo na comodidade: em vez de procurar a carteira ou desbloquear o telemóvel, basta aproximar o dispositivo do terminal.
QR Code que simplifica
Outra tendência em crescimento é o uso de códigos QR. No MB WAY, esta funcionalidade permite pagar em lojas físicas ao apontar a câmara do telemóvel para o código apresentado no terminal, confirmando depois a operação na aplicação.
Para os comerciantes, há também soluções que reduzem a dependência dos terminais tradicionais. A SIBS Pay apresenta o QR Code Express como uma funcionalidade que permite disponibilizar pagamentos por QR Code sem necessidade de Terminal de Pagamento Automático, podendo gerar códigos associados a um produto e a um valor fixo.
Ainda assim, isto não significa que o TPA esteja a desaparecer. Pelo contrário, o Banco de Portugal indica que, no final de 2024, 93% dos terminais de pagamento automático no país estavam habilitados para tecnologia contactless, o que mostra uma adaptação do sistema tradicional às novas formas de pagamento.
Futuro é híbrido
O cartão Multibanco dificilmente desaparecerá de um dia para o outro. Continua a ser útil para levantamentos, para pessoas menos habituadas ao digital, para situações em que o telemóvel fica sem bateria ou para contextos em que determinado serviço móvel não está disponível.
O que parece estar a acontecer é uma mudança no papel do cartão físico. Em vez de ser sempre o protagonista, passa cada vez mais a funcionar como alternativa de segurança, enquanto o telemóvel e outros dispositivos assumem o pagamento do dia a dia.
Assim, o futuro dos pagamentos em Portugal deverá ser híbrido. Cartões físicos, telemóveis, wearables e QR Codes vão continuar a coexistir, mas com pesos diferentes. A revolução digital já está em curso, embora o plástico ainda não tenha dito o último adeus.
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