Mais de metade dos reformados em Portugal afirma que o rendimento mensal não cobre as despesas essenciais. Ao mesmo tempo, grande parte dos trabalhadores ativos não tem um plano financeiro para a reforma, o que coloca a sustentabilidade do sistema de Segurança Social em destaque.
Reformados enfrentam dificuldades no orçamento
De acordo com a DECO PROTeste, associação de defesa do consumidor, o inquérito realizado entre abril e maio de 2022 com duas amostras representativas da população mostra que 61% dos ativos admite não estar a preparar a reforma e que 43% dos reformados dependem apenas da pensão como fonte de rendimento.
Segundo a mesma fonte, a diferença média entre o último salário e a pensão dos que só têm a prestação legal é de 471 euros por mês.
Em 2025, a atualização das pensões incluiu um aumento legal somado a uma majoração permanente de 1,25% para pensões até três vezes o indexante, com uma subida média de cerca de 3,85%.
Entre os reformados, é frequente reduzir despesas com lazer e viagens, adiar cuidados de saúde e recorrer a apoio familiar para equilibrar o orçamento. Para quem recebe pensões mais baixas, pequenas despesas imprevistas podem ter impacto significativo na capacidade de pagamento de contas correntes.
Poucos trabalhadores ativos planeiam a reforma
Entre os portugueses com idades entre os 25 e os 65 anos, 61% admite não ter planos financeiros para a reforma. Alguns consideram ser demasiado cedo para pensar no futuro, enquanto outros apontam a falta de rendimento disponível como obstáculo.
Entre quem poupa, a maioria recorre a produtos conservadores com rendimento reduzido ao longo do tempo, como depósitos a prazo ou planos de poupança-reforma sob a forma de seguro.
Entre os 65 e os 84 anos, pouco mais de um terço afirma ter preparado financeiramente a saída do mercado de trabalho. Quem não o fez indica falta de rendimento ao longo da vida ativa e escolhas financeiras que não permitiram acumular um complemento significativo à pensão pública.
Perspetivas e projeções a longo prazo
A idade legal de reforma em 2025 é de 66 anos e 7 meses, ajustável com a evolução da esperança média de vida. Existem regimes que permitem antecipar a reforma em situações específicas, normalmente com penalização no valor da prestação.
As projeções do Ageing Report 2024 da Comissão Europeia indicam uma redução significativa da taxa de substituição nas próximas décadas, com a pensão média a poder cair para cerca de 38 a 40% do último salário se não forem feitas alterações estruturais no sistema.
Segundo a DECO PROTeste, estas projeções evidenciam a importância de complementar a pensão pública com poupança adequada e de acompanhar as reformas legislativas.
A informação mais recente do Governo sobre atualizações de pensões indica um aumento regular de aproximadamente 2,8% para o próximo período de revisão.
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