O preço do gasóleo tem registado uma subida mais acentuada do que o da gasolina nas últimas semanas, num movimento que coincide com o agravamento das tensões no Médio Oriente. Desde o início do conflito envolvendo o Irão, o gasóleo simples encareceu cerca de 45 cêntimos por litro, enquanto a gasolina simples 95 subiu pouco mais de metade desse valor.
Europa mais dependente do exterior
De acordo com a DECO PROteste, a explicação para esta diferença está na dependência europeia do exterior para garantir o abastecimento de gasóleo. A mesma fonte sublinha que a Europa não tem capacidade de refinação suficiente para responder à procura interna deste combustível, o que a obriga a recorrer a importações.
Antes do início da guerra na Ucrânia, uma parte significativa do gasóleo consumido na Europa tinha origem na Rússia, país com elevada capacidade de refinação.
Com os embargos entretanto impostos, esse fluxo foi interrompido, obrigando os países europeus a procurar alternativas em mercados mais distantes e, em alguns casos, mais instáveis.
Novas origens, mais incerteza
Entre essas alternativas estão países como o Qatar e os Emirados Árabes Unidos, que ganharam maior relevância no fornecimento de gasóleo ao espaço europeu. No entanto, o envolvimento indireto ou a proximidade geopolítica destas regiões ao atual conflito tem contribuído para aumentar a incerteza e pressionar os preços.
Os números ilustram essa evolução. Na véspera da escalada militar, o gasóleo simples custava 1,599 euros por litro. Menos de um mês depois, o preço subiu para 2,046 euros.
Já a gasolina simples 95 passou de 1,684 euros para 1,922 euros no mesmo período, refletindo uma subida significativamente mais contida.
Subidas mais rápidas no gasóleo
A diferença entre os dois combustíveis acentuou-se também na última semana. Segundo dados divulgados pela Direção-Geral de Energia e Geologia, o gasóleo aumentou quase 12 cêntimos em poucos dias, enquanto a gasolina subiu cerca de metade desse valor.
Para além das questões geopolíticas, há fatores estruturais que ajudam a explicar esta discrepância. O gasóleo é mais utilizado no transporte pesado e na indústria, setores particularmente sensíveis a perturbações no abastecimento. Qualquer sinal de escassez ou risco logístico tende a refletir-se de forma mais imediata no preço.
Já a gasolina, apesar de também depender do mercado internacional, beneficia de uma maior capacidade de produção dentro da Europa e de cadeias de abastecimento mais diversificadas. Isso contribui para amortecer, ainda que parcialmente, os impactos de crises externas.
Impacto no consumidor
No plano do consumidor, o aumento do preço dos combustíveis tem impacto direto no orçamento das famílias. A mesma fonte recomenda a adoção de práticas de condução mais eficientes, como a verificação regular da pressão dos pneus, a utilização moderada do ar condicionado e uma condução mais suave, medidas que podem reduzir significativamente o consumo anual.
















