Quando a chuva começa a cair, a visibilidade diminui e o piso da estrada torna-se escorregadio, mas há um erro comum que muitos condutores continuam a cometer a conduzir: usar o cruise control. Este sistema, presente na maioria dos automóveis modernos, mantém automaticamente a velocidade definida, dispensando o uso constante do acelerador. Contudo, pode transformar-se num perigo em estradas molhadas, alerta o Automóvel Club de Portugal (ACP), associação portuguesa dedicada à mobilidade, segurança rodoviária e apoio aos automobilistas.
De acordo com a mesma fonte, o cruise control deve ser utilizado apenas em condições meteorológicas ideais.
Em caso de chuva, nevoeiro, neve ou gelo, é essencial manter o controlo total do veículo, uma vez que o sistema não tem capacidade para avaliar o estado do piso nem ajustar a tração dos pneus. Já em situações de hidroplanagem, o carro pode deslizar e reagir de forma imprevisível, aumentando o risco de acidente.
Um apoio útil que pode tornar-se perigoso
O cruise control foi concebido para facilitar a condução, sobretudo em autoestradas ou longas distâncias, permitindo manter uma velocidade constante e estável.
No entanto, não substitui o julgamento humano nem reage a imprevistos com a rapidez necessária. “O condutor deve adaptar a condução às condições da via e manter sempre o pé pronto para travar”, sublinha o ACP.
A Drive, publicação digital australiana especializada em automóveis e indústria automóvel, partilha da mesma posição, citando instrutores de condução que recomendam desligar imediatamente o sistema quando chove ou quando há água acumulada na estrada.
Caso o veículo comece a derrapar, o cruise control pode manter o acelerador ativo por alguns segundos, dificultando a recuperação do controlo.
Estudos revelam tempos de reação mais lentos
Vários estudos sustentam estas preocupações. A Universidade de Estrasburgo, instituição pública de ensino superior e investigação localizada em França, realizou uma investigação que demonstrou que os condutores que usam cruise control demoram até cinco segundos a mais a reagir perante uma situação de perigo.
Outro estudo, publicado pela National Library of Medicine, agência governamental norte-americana dedicada à investigação e publicação científica na área da medicina, indica que o uso prolongado deste sistema reduz a vigilância e os reflexos, sobretudo em curvas apertadas ou quando surgem obstáculos inesperados. “A sensação de segurança criada pelo sistema é enganadora, o condutor tende a relaxar”, explica a publicação.
O que fazer para conduzir em segurança
É recomendado evitar o cruise control sempre que o piso estiver molhado, a visibilidade for reduzida ou a estrada apresentar curvas e declives. Nestes cenários, o ideal é controlar manualmente o acelerador e o travão, ajustando a velocidade conforme o trânsito e o estado da via.
O ACP reforça ainda que o cruise control nunca deve ser usado quando o condutor está cansado, já que a diminuição da concentração agrava os riscos. A tecnologia deve ser vista como uma ajuda, e não como um substituto da atenção ao volante.
Em suma, quando chover, o melhor é manter o controlo nas suas próprias mãos (e pés). Desativar o cruise control pode ser o gesto que evita uma perda de aderência, um susto, ou um acidente grave.
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