A indústria automóvel europeia atravessa uma transformação profunda, marcada pela eletrificação, pela concorrência asiática e pela necessidade de reduzir custos. Dentro dos grandes grupos, esta mudança está a obrigar à revisão de fábricas, modelos e marcas que durante décadas ocuparam um lugar importante no mercado e que muitos condutores continuam a usar.
A possível vítima desta reorganização é a SEAT, cujo desaparecimento até ao final de 2029 foi avançado pela revista económica alemã WirtschaftsWoche, com base num documento confidencial preparado para o Conselho de Supervisão da Volkswagen. Contudo, a informação oficial divulgada esta sexta-feira, 4 de setembro, esclarece que ainda não existe uma decisão definitiva sobre o encerramento da histórica marca espanhola.
Fim em 2029 não foi confirmado oficialmente
As notícias sobre o desaparecimento da SEAT surgiram depois de o jornal económico alemão WirtschaftsWoche avançar que a Volkswagen pretendia retirar a marca da sua estratégia a partir de 2030. A produção dos atuais modelos terminaria progressivamente até ao final de 2029, concentrando-se depois os recursos na CUPRA.
A própria empresa veio, porém, corrigir o caráter definitivo dessas notícias. Num comunicado oficial da SEAT S.A., a fabricante afirma que a marca continua a ser uma parte importante da companhia e que possui um plano de produto definido para os próximos anos.
A empresa reconhece que um dos cenários possíveis depois de 2030 é o abandono gradual da marca. Ainda assim, sublinha expressamente que nenhuma decisão final foi tomada e que tudo dependerá das regras europeias de emissões, da procura dos consumidores e da evolução do mercado automóvel.
Ibiza e Arona continuam a receber novidades
A atividade da SEAT não deverá terminar no curto prazo. A fabricante confirma que continuará a desenvolver os lançamentos e as atualizações já planeados, incluindo novas versões híbridas ligeiras do Ibiza e do Arona, previstas para 2027.
O problema surge no ciclo seguinte de produtos. Segundo a empresa, as regras ambientais cada vez mais exigentes, os custos da eletrificação e o investimento necessário para criar uma nova geração de automóveis elétricos tornam mais difícil justificar a aplicação de novos recursos na marca SEAT.
A fabricante garante também que continuará a cumprir os compromissos assumidos com os clientes, independentemente da decisão que vier a ser tomada. Assim, o possível desaparecimento da marca não significa o fim imediato da assistência, das garantias ou do fornecimento de peças aos atuais proprietários.
CUPRA tornou-se a principal aposta de crescimento
A CUPRA, criada como marca independente em 2018, assumiu progressivamente maior importância dentro da empresa. Desde o lançamento, ultrapassou um milhão de automóveis vendidos e tornou-se o principal motor de crescimento e rentabilidade da SEAT S.A.
Os resultados oficiais de 2025 ajudam a explicar esta mudança. A CUPRA entregou 328.800 veículos, mais 32,5% do que no ano anterior, enquanto a SEAT vendeu 257.400 unidades, uma descida de 17%.
No total, as duas marcas alcançaram um recorde conjunto de 586.300 automóveis entregues. A estratégia até 2030 passa agora por desenvolver o potencial da CUPRA, aumentar a sua presença no mercado europeu e avançar para novos destinos internacionais.
Marca SEAT e empresa SEAT S.A. não são a mesma coisa
A empresa faz questão de distinguir o futuro da marca automóvel SEAT do futuro da SEAT S.A., que controla tanto a SEAT como a CUPRA. Mesmo que a primeira venha a desaparecer, a companhia pretende manter e reforçar a atividade industrial em Martorell, perto de Barcelona.
Esta reestruturação está integrada no Future Plan 2030 do Grupo Volkswagen, que prevê reduzir até 50% o número de modelos comercializados e diminuir até 75% a complexidade das configurações disponíveis.
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