A Sociedade de Geografia de Lisboa recebeu uma jornada cultural dedicada à fundação de Vila Real de Santo António, no ano em que se assinalam 250 anos das festividades da criação da vila pombalina.
A iniciativa centrou-se na construção desta localidade, implantada na margem portuguesa da foz do Guadiana, no âmbito do Plano de Restauração do Reino do Algarve.
Conferência destaca papel estratégico da vila
A sessão foi aberta por António Luís Cansado de Carvalho de Mattos e Silva, presidente da “Secção de Genealogia, Heráldica e Falerística”.

Seguiu-se a intervenção do historiador algarvio Fernando Pessanha, vencedor do Prémio Defesa Nacional 2023, que apresentou a conferência “Vila Real de Santo António: geo-estratégia militar e poder na política pombalina”.
História local e controlo do Guadiana em análise
A conferência abordou a evolução histórica do termo de Santo António de Arenilha, cuja relevância foi ofuscada após a reconstrução pombalina da sede do concelho, em 1774.
Foi também analisada a importância do controlo da foz do Guadiana por parte do Estado português, particularmente desde a Guerra Fantástica de 1762.
Fundação com dimensão política e militar
Segundo Fernando Pessanha, a criação da nova vila não resultou apenas de motivações económicas, mas também de uma clara estratégia política e militar.

O historiador refere que “a nova vila pombalina materializou a afirmação política e militar do Estado português perante o Estado espanhol na foz do Guadiana, num momento em que continuavam os conflitos bélicos entre ambas as monarquias, na América do Sul, e cujas tensões na Península Ibérica acabariam por mais tarde resultar na Guerra das Laranjas e na Grande Batalha do Guadiana de 1801, durante a qual as baterias de Vila Real de Santo António impediram a invasão do Algarve pelas tropas espanholas”.
Mostra bibliográfica complementa iniciativa
Para além da conferência, a jornada incluiu a apresentação de uma mostra bibliográfica dedicada à história de Vila Real de Santo António.
A exposição foi comissariada por Helena Grego, responsável pelo arquivo e biblioteca da Sociedade de Geografia de Lisboa.

















