Mais de 120 investigadores, estudantes, técnicos e empresários de Portugal, Espanha, Brasil e México participaram no XIII Simpósio Ibérico de Maturação e Pós-Colheita (POST26), que decorreu entre 1 e 3 de junho na Universidade do Algarve, em Faro.
O encontro científico reuniu especialistas da Península Ibérica na área da conservação, qualidade e valorização de frutas e hortícolas, numa altura em que a redução das perdas alimentares e a sustentabilidade das cadeias agroalimentares ganham cada vez maior relevância.

Ao longo de três dias, foram apresentadas mais de 100 comunicações científicas, centradas em temas como tecnologias inteligentes de monitorização da qualidade, embalagens sustentáveis, revestimentos comestíveis, controlo biológico de doenças pós-colheita, valorização de resíduos agroalimentares e soluções de economia circular.
Tecnologias procuram prolongar vida útil dos alimentos
Um dos temas centrais do simpósio foi o combate ao desperdício alimentar. Durante a sessão dedicada à minimização das perdas, a investigadora Ana Cristina Santos, da Universidade de Évora, destacou que cerca de 32,2% dos alimentos produzidos no mundo são perdidos ou desperdiçados, valor que pode atingir os 50% no caso das frutas e hortícolas.
Em Portugal, estima-se que sejam desperdiçadas cerca de 1,9 milhões de toneladas de alimentos por ano. Perante este cenário, investigadores de vários países apresentaram soluções inovadoras capazes de prolongar a vida útil dos produtos, reduzir desperdícios e aumentar a eficiência das cadeias de abastecimento.
Entre as tecnologias apresentadas estiveram sistemas inteligentes de avaliação da qualidade baseados em imagem hiperespectral, sensores não destrutivos para monitorização das plantas, embalagens ativas com absorvedores de etileno, revestimentos comestíveis antifúngicos e novas estratégias de armazenamento para frutas e hortícolas.
O investigador José Blasco, do Centro de Agroingeniería do IVIA, em Valência, Espanha, apresentou o contributo da inteligência artificial e dos modelos inteligentes para a avaliação da qualidade pós-colheita. Já Vítor Alves, do Instituto Superior de Agronomia, abordou os avanços em embalagens sustentáveis e bioplásticos, destacando o seu papel na redução das perdas alimentares e do impacto ambiental.
Economia circular e jovens investigadores em destaque
A economia circular esteve também em evidência, com a apresentação de trabalhos que demonstram como resíduos e subprodutos agroalimentares podem ser transformados em soluções de elevado valor acrescentado.
Entre os exemplos apresentados estiveram a utilização de águas residuais da indústria da alcachofra para aumentar a conservação do tomate, o aproveitamento de resíduos de abacate e amêndoa para desenvolver revestimentos antifúngicos e a valorização de bananas não comercializáveis para produção de farinha rica em fibra prebiótica destinada à indústria alimentar.
A formação da próxima geração de investigadores foi outro dos pontos fortes do encontro. Pela primeira vez na história do simpósio, foram atribuídas Bolsas de Excelência pela Associação Portuguesa de Horticultura e pela Sociedade Portuguesa de Biologia de Plantas, destinadas a reconhecer o mérito científico de jovens investigadores na área da pós-colheita.

Para a Comissão Organizadora, o elevado número de participantes e a qualidade científica das apresentações demonstram a importância crescente da investigação em pós-colheita para enfrentar desafios globais como a segurança alimentar, as alterações climáticas, a escassez de recursos e a sustentabilidade dos sistemas alimentares.
O POST26 foi organizado pela Associação Portuguesa de Horticultura, Universidade do Algarve, Sociedad Española de Ciencias Hortícolas, Sociedade Portuguesa de Biologia das Plantas e Sociedad Española de Biología de Plantas.
Segundo a organização, esta edição reforçou o papel do Simpósio Ibérico de Maturação e Pós-Colheita como “um dos principais fóruns científicos da Península Ibérica dedicados à inovação, sustentabilidade e valorização da produção hortofrutícola”.
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