O Cineteatro Jaime Pinto, em São Brás de Alportel, recebe durante o mês de novembro cinco filmes de diferentes realizadores internacionais, numa programação promovida pelo Cinemalua – Associação Cultural e pela Câmara Municipal de São Brás de Alportel, que arranca com uma homenagem ao cineasta chileno Patricio Guzmán.
As sessões realizam-se às segundas-feiras, sempre às 19:15, e incluem obras de realizadores como Shō Miyake, Jean-Paul Salomé e Asghar Farhadi, além de um filme dedicado à escritora portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen.
A programação percorre diferentes géneros e temáticas, desde o documentário político e a literatura até às relações humanas e aos acontecimentos históricos, reunindo produções cinematográficas de vários países.
Homenagem a Patricio Guzmán abre programação de novembro
O ciclo começa na segunda-feira, 2 de novembro, com uma sessão especial de homenagem a Patricio Guzmán, realizador nascido em Santiago do Chile, em 1941, e falecido em Paris, a 15 de setembro de 2026.
Será exibido O Meu País Imaginário, documentário de 2022 que estreou nas salas portuguesas a 29 de outubro de 2026 e que revisita a contestação social que marcou o Chile em 2019.
O filme acompanha as manifestações que levaram cerca de um milhão e meio de pessoas às ruas de Santiago, reivindicando mais democracia, melhores condições de vida, educação, saúde e uma nova Constituição.
Na sinopse da obra, Patricio Guzmán recorda o significado daqueles acontecimentos: “Outubro de 2019, uma revolução inesperada, uma explosão social. Um milhão e meio de pessoas manifestaram-se nas ruas de Santiago por mais democracia, uma vida mais digna, uma melhor educação, um melhor sistema de saúde e uma nova Constituição. O Chile tinha recuperado sua memória. O acontecimento de que eu estava à espera desde as minhas lutas estudantis em 1973 e que finalmente se materializou.”
Com 83 minutos de duração, o documentário foi distinguido no Festival de Cinema de Jerusalém, em 2022, com o Prémio Espírito para a Liberdade, na categoria de Melhor Documentário.
Sophia de Mello Breyner e cinema japonês em destaque
A programação prossegue a 9 de novembro, na rubrica “Obras de Referência”, com a exibição de Sophia Setembro 1963, realizado por Hugo Pereira e Vanessa Duarte.
Estreado em Portugal a 30 de julho de 2026, o filme parte dos fragmentos do diário que Sophia de Mello Breyner Andresen escreveu durante a sua primeira viagem à Grécia, no verão de 1963, acompanhada pela escritora Agustina Bessa-Luís e pelo marido desta, Alberto Luís.
Sessenta anos depois, em 2023, dois cineastas decidem refazer o percurso daquela viagem, explorando as diferentes representações da Grécia, entre a memória literária, a paisagem e a experiência contemporânea.
Com 84 minutos de duração, a obra será apresentada numa sessão especial com legendas em inglês.
Na segunda-feira seguinte, 16 de novembro, o cinema japonês estará em destaque com Duas Estações, Dois Desconhecidos, de Shō Miyake, vencedor do Leopardo de Ouro para Melhor Filme no Festival de Locarno de 2025.
A longa-metragem, estreada em Portugal a 29 de outubro de 2026, adapta duas obras do autor japonês Yoshiharu Tsuge, falecido em março deste ano, e explora as ligações humanas através de encontros inesperados.
A narrativa desenvolve-se em dois momentos distintos. Durante o verão, Nagisa e Natsuo encontram-se numa cidade costeira, enquanto, no inverno, uma argumentista confrontada com um bloqueio criativo procura refúgio numa aldeia coberta de neve, onde conhece o responsável por uma pequena pensão.
Entre paisagens de diferentes estações do ano, o filme cruza memórias, experiências e relações pessoais, explorando as fronteiras entre a realidade e a imaginação.
História verídica e drama contemporâneo encerram o mês
A 23 de novembro, o Cineteatro Jaime Pinto apresenta O Falsificador, realizado pelo francês Jean-Paul Salomé e protagonizado por Reda Kateb, distinguido com o Prémio de Melhor Ator no Festival Internacional de Cinema Barcelona-Sant Jordi, em 2026.
Baseado numa história verídica, o filme acompanha Jan Bojarski, um jovem engenheiro polaco que se refugia em França durante a ocupação alemã e utiliza os seus conhecimentos para produzir documentos falsos.
Após o fim da guerra, confrontado com dificuldades profissionais e financeiras, Bojarski aceita uma proposta para fabricar dinheiro falso, iniciando uma vida dupla que acaba por despertar a atenção das autoridades policiais.
Com 128 minutos de duração, a produção francesa aborda questões relacionadas com a sobrevivência, a identidade e os dilemas morais, estabelecendo, segundo a apresentação do Cinemalua, paralelos com a realidade contemporânea.
O programa de novembro termina no dia 30 com Histórias Paralelas, apresentado pela associação como o mais recente trabalho do realizador iraniano Asghar Farhadi.
O filme, uma produção de 2026, conta com um elenco que inclui Isabelle Huppert, Virginie Efira, Vincent Cassel, Pierre Niney, Adam Bessa e India Hair.
A história acompanha Sylvie, uma mulher que procura inspiração para escrever um novo romance e começa a observar os vizinhos. A chegada de Adam, um jovem contratado para a ajudar nas tarefas quotidianas, altera o rumo da sua vida e do seu trabalho, fazendo com que a ficção que imaginara se cruze de forma inesperada com a realidade.
Com 139 minutos de duração, o drama encerra um mês de programação que reúne diferentes perspetivas cinematográficas sobre a sociedade, a memória e as relações humanas.
Bilhetes e horários das sessões
Todas as sessões decorrem às 19:15, no São Brás Cineteatro Jaime Pinto, situado na Avenida da Liberdade, n.º 22, em São Brás de Alportel.
O preço dos bilhetes é de cinco euros por sessão, sendo reduzido para três euros com assinatura mensal. Os portadores do Cartão Jovem Municipal pagam 2,50 euros, enquanto os titulares do Cartão Sénior Municipal beneficiam de uma tarifa de 3,75 euros.
A programação e a exibição dos filmes estão a cargo do Cinemalua – Associação Cultural, numa iniciativa organizada em conjunto com a Câmara Municipal de São Brás de Alportel.
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