Nem sempre é visível, mas raramente passa despercebido. É um dos principais motivos de conflito a bordo de aviões comerciais e tem gerado tantos atritos entre passageiros que, em certos casos, obriga mesmo à intervenção da tripulação.
O gesto de reclinar o assento pode parecer inofensivo, mas pode originar queixas, acidentes menores e, em situações extremas, consequências legais. De acordo com o jornal The Sun, uma ex-comissária de bordo da British Airways identificou seis momentos em que o recuo do encosto deve ser evitado a todo o custo.
Durante as refeições
Jane Hawkes, antiga assistente de bordo e agora especialista em viagens, explicou que a etiqueta sobre assentos reclináveis não é consensual e está na origem de várias discussões em pleno voo. Segundo a mesma fonte, uma das principais recomendações é nunca reclinar o assento durante a distribuição ou o consumo das refeições.
Acrescenta a publicação que esta é uma das alturas mais problemáticas, já que o espaço de bandeja é reduzido e qualquer movimento do encosto pode resultar em derrames, desconforto ou acidentes.
Quando os passageiros ainda estão a embarcar
Outro dos momentos em que o gesto deve ser evitado é durante o embarque. Refere o The Sun que muitos dos atritos surgem precisamente quando passageiros optam por reclinar os seus assentos assim que se sentam, mesmo antes da descolagem.
Jane Hawkes afirma que esta atitude é particularmente mal recebida por quem se instala atrás e pode ser interpretada como falta de respeito pelo espaço comum.
Se alguém estiver a comer, trabalhar ou a dormir
Reclinar o assento pode perturbar quem está a usar o tabuleiro para refeições ou trabalho com dispositivos eletrónicos. De acordo com a mesma fonte, deve-se evitar esse gesto caso se perceba que o passageiro da fila de trás está a usar o espaço para estas atividades.
Explica ainda o jornal britânico que há igualmente impacto sobre quem tenta dormir, pois um movimento brusco pode ser suficiente para acordar ou incomodar quem esteja em repouso.
Em voos de curta duração
Hawkes também aconselha que o recuo do encosto seja reservado para voos longos, sobretudo se for necessário descansar. Conforme o The Sun, nos voos de curta distância não existe uma necessidade real de reclinar o assento, já que a duração não justifica a procura de conforto adicional.
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Sublinha a especialista que o gesto é especialmente problemático em trajetos curtos, como aqueles operados por companhias de baixo custo, onde o espaço é ainda mais limitado.
Ao longo de todo o voo
Em declarações ao The Sun, Jane Hawkes destaca igualmente que manter o assento reclinado desde o embarque até à aterragem é uma das práticas mais criticadas pelos passageiros. Segundo a mesma fonte, é frequente a tripulação ter de intervir nesses casos para evitar escaladas de tensão.
Acrescenta ainda que os passageiros devem ajustar o encosto apenas quando realmente necessitam, e sempre com cuidado, após verificar a situação do lugar traseiro.
Quando há uma queixa
Por fim, o momento mais sensível: quando alguém reclama diretamente com o passageiro que reclinou o assento. Hawkes recomenda uma postura conciliatória. Escreve o The Sun que o melhor é considerar ajustar o assento e evitar confrontos, já que, em última instância, a situação pode escalar até consequências legais.
Conforme a mesma fonte, as companhias aéreas e as autoridades aeroportuárias levam estas ocorrências com seriedade, podendo resultar em multas, processos legais ou detenção à chegada.
Assentos que já não reclinam
Algumas companhias têm vindo a adaptar-se ao problema. A Lufthansa, por exemplo, introduziu modelos que reclinam sem interferir com o espaço traseiro. De acordo com o The Sun, há também empresas que optaram por remover totalmente a função reclinável.
Entre estas últimas destaca-se a Ryanair, que eliminou o sistema em 2004; e a Jet2, que introduziu assentos “pré-reclinados” em 2009. Refere ainda a publicação que outras transportadoras, como a British Airways, Delta, United ou Finnair, reduziram o grau de reclinação ou substituíram por cadeiras com inclinação fixa.
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