Quando o frio aperta, a condensação nos vidros torna-se um problema frequente em muitas casas: janelas embaciadas, e, em casos persistentes, humidade e bolor. Um método simples que volta todos os invernos é colocar um recipiente com sal junto às janelas, uma dica destacada pelo jornal espanhol El Confidencial como forma económica de ajudar a “secar” o ar junto ao vidro.
A condensação aparece quando o ar quente e húmido do interior entra em contacto com superfícies frias, como o vidro, e o vapor de água se transforma em gotas. Além do incómodo visual, pode manter zonas húmidas durante horas e criar condições para bolor e deterioração de materiais, sobretudo em casas com pouca ventilação.
O artigo refere que, em carros, abrir janelas e renovar o ar costuma resolver rapidamente, mas numa habitação o controlo é menos imediato, porque a humidade vem de várias rotinas: cozinhar, duches, secar roupa e até a própria respiração durante a noite. É por isso que “truques” de baixo esforço tendem a ganhar popularidade nesta altura do ano.
Como funciona a ideia do sal junto ao vidro
A lógica do método é a de um “mini-desumidificador passivo” perto da janela: a salinidade ajuda a atrair/absorver humidade, reduzindo a água disponível no ar naquele ponto e, em teoria, diminuindo a formação de gotas no vidro. Esta explicação é atribuída no texto ao especialista Andy Ellis, citado por um jornal britânico.
Na prática, recomenda-se um recipiente baixo (taça ou frasco pequeno) com sal de cozinha ou sal grosso, ajustando a quantidade ao tamanho da janela e mantendo-o perto do local onde a condensação é mais visível. Quando o sal fica húmido e empedrado, deve ser substituído para continuar a ter efeito.
A base científica pode ser descrita de forma simples: soluções salinas concentradas apresentam menor “pressão de vapor” do que a água pura, o que favorece a passagem de humidade do ar para o sistema até atingir equilíbrio. É uma lógica usada em referências técnicas de humidade relativa com soluções salinas saturadas.
O que este truque consegue (e o que não consegue)
O truque pode ajudar em situações leves e localizadas, sobretudo como “amortecedor” de humidade junto à janela, mas não substitui medidas estruturais quando há condensação diária e bolor. Se a casa tem fontes contínuas de vapor e pouca renovação de ar, o efeito de uma taça de sal tende a ser limitado.
Também importa perceber que o cloreto de sódio (sal comum) tem um comportamento higroscópico com limiar: só começa a absorver água de forma mais marcada e a formar salmoura acima de determinada humidade relativa (o chamado ponto de deliquescência), referida na literatura técnica na ordem dos ~75–77% para o NaCl. Isso significa que, em muitas casas com humidade moderada, pode não ser o material mais “agressivo” a captar água.
Se o objetivo é cortar humidade de forma mais eficaz, as recomendações mais consistentes passam por ventilação regular (incluindo ventilações curtas e intensas), controlo das fontes de vapor (cozinha e banho), e, quando necessário, desumidificador. Estas medidas atacam a causa e não apenas o sintoma no vidro.
Medidas simples para reduzir condensação e prevenir humidade
Ventilar continua a ser o passo mais importante: abrir janelas alguns minutos por dia, usar exaustores quando se cozinha ou toma banho e evitar que a humidade “fique presa” atrás de cortinas grossas ou móveis encostados a paredes frias. Pequenos hábitos repetidos costumam ter mais impacto do que qualquer truque pontual.
De acordo com o El Confidencial, outra estratégia é reduzir a entrada de ar frio e aumentar o conforto térmico junto às janelas: vedantes e melhorias de estanquidade podem ajudar a estabilizar a temperatura do vidro e do caixilho, diminuindo o choque térmico que favorece a condensação. No entanto, quando se melhora a estanquidade, a ventilação torna-se ainda mais crucial para não “prender” vapor dentro de casa.
Por fim, há um gesto que faz diferença quando a condensação já aparece: limpar e secar as superfícies, para evitar que a água fique horas em contacto com madeira, silicone e paredes, criando condições para mofo e manchas. O objetivo é impedir que um problema de inverno se transforme num problema de saúde e manutenção da casa.
Em resumo, a taça de sal pode ser um “remendo” barato e fácil para casos moderados, mas funciona melhor como complemento de um conjunto básico: ventilação, gestão da humidade produzida no dia a dia e prevenção ativa de bolor. É essa combinação, e não um único truque, que costuma decidir se as janelas passam o inverno secas ou constantemente embaciadas.
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