Em Ciudad Rodrigo, na província de Salamanca, a poucos quilómetros da fronteira de Espanha com Portugal, existe uma fortaleza do século XIV que é hoje um hotel. Trata-se do Parador de Ciudad Rodrigo, instalado no castelo reconstruído por Henrique II de Castela, pai de Isabel a Católica, em 1372. Declarado Monumento Histórico-Artístico em 1949, é, segundo o jornal La Razón, um dos melhores exemplos de conservação e reutilização do património histórico espanhol.
A adaptação do castelo a unidade hoteleira integra a rede de Paradores de Turismo de Espanha, criada com o objetivo de revitalizar edifícios emblemáticos e estimular o turismo em zonas com interesse paisagístico ou cultural. O Parador de Ciudad Rodrigo foi o terceiro a ser inaugurado em Espanha, em 1929, e ocupa um dos pontos mais elevados da vila, com vista para o rio Águeda.
Fortaleza com vista, arte e quartos renovados
O castelo é caracterizado por uma torre do menagem quadrada com 17 metros de lado e muralhas com ameias que mantêm a imponência original. No interior destaca-se a conjugação entre mobiliário castelhano tradicional e elementos de design moderno, resultado de uma reforma recente. Há ainda uma área de jardim e parque infantil.
O acervo artístico do alojamento inclui uma série de peças “notáveis”: um tapete flamengo dos séculos XVII-XVIII, uma escultura de um rei castelhano do século XVIII e uma reprodução do quadro “As Bodas de Caná”, de Gerard David, cuja versão original se encontra no Museu do Louvre, em Paris.
Entre o presunto e o farinato, uma mesa medieval
A proximidade às dehesas de Salamanca justifica a forte aposta na gastronomia local. Conforme escreve o La Razón, o restaurante do Parador aposta em produtos regionais como o porco ibérico e a vaca morucha. Os pratos são servidos num salão com arcadas de pedra, criando uma atmosfera que remete à época medieval, com vista sobre os campos da região.
Entre as especialidades destacadas estão os ovos de galinha do campo cobertos com presunto ibérico, o farinato com gema assada e batatas meneadas, a perna de cordeiro no forno e o lombo de morucha grelhado. Segundo a mesma fonte, o presunto de Guijuelo é presença constante na ementa e o farinato é considerado o símbolo gastronómico de Ciudad Rodrigo.
Uma rede com quase 100 anos e presença quase exclusiva em Espanha
O conceito dos Paradores nasceu em 1926, impulsionado pelo Marquês de Vega-Inclán, que propôs a criação de alojamentos públicos em zonas de beleza natural ou valor patrimonial onde a iniciativa privada não chegava.
Como explica o jornal espanhol, o primeiro Parador abriu portas em 1928 na serra de Gredos. Desde então, a rede cresceu e passou a recuperar edifícios históricos abandonados em todo o território espanhol.
Atualmente existem dezenas de Paradores em Espanha, sendo que 30 estão classificados como bens de interesse cultural e outros 15 inserem-se em conjuntos históricos com a mesma designação. Apesar de ser um modelo exclusivo de Espanha, desde 2015 existe um único Parador em Portugal, funcionando como uma exceção dentro da rede.
















