Ainda há quem ache que a longevidade é uma questão de sorte ou de genética. Mas I. Roy Cohen, um norte-americano de 101 anos, acredita que o segredo pode estar nas escolhas do dia a dia, e fala com a autoridade de quem liderou durante anos uma das maiores empresas do sector farmacêutico.
A viver nos Estados Unidos, Cohen tornou-se recentemente uma referência inesperada em publicações como o Business Insider e o Jerusalem Post, que o ouviram sobre os hábitos que considera fundamentais para manter a lucidez, a mobilidade e, acima de tudo, a qualidade de vida.
No seu testemunho, não há lugar para dietas da moda, suplementos excêntricos ou intervenções milagrosas. O segredo, garante, está na consistência, com destaque para a alimentação, o movimento e o estímulo mental diário.
Um centenário atento aos detalhes
De acordo com o Business Insider, o antigo CEO defende uma alimentação inspirada na dieta mediterrânica, rica em vegetais frescos, peixe, azeite e leguminosas. Em vez de snacks industrializados, opta por alimentos crus e naturais, como aipo ou cenoura.
O Jerusalem Post acrescenta que o homem de 101 anos evita de forma rigorosa alimentos processados e carne de vaca, algo que, segundo o próprio, contribui para manter uma boa saúde ao longo das décadas.
A escolha, além de nutricional, é também preventiva: muitos dos produtos que elimina da dieta estão associados a maior risco cardiovascular ou inflamatório.
Movimento e disciplina como rotina
A par da alimentação, há outro hábito que cumpre com disciplina: caminhar. Todos os dias, durante cerca de 20 minutos, percorre um circuito traçado dentro da sua própria casa.
Pode parecer pouco, mas o hábito ganhou ainda mais importância à medida que a idade avançou e a mobilidade se tornou uma prioridade.
Segundo a mesma fonte, o exercício não visa apenas manter a forma, mas também evitar quedas, preservar a autonomia e sustentar a boa circulação sanguínea. É, como define, um gesto de manutenção diária do corpo.
Mais do que corpo: a mente também treina
Mas o ex-CEO de 101 anos insiste que a mente também precisa de ser desafiada. Mesmo após a reforma, mantém projectos em casa, acompanha os investimentos financeiros e dedica parte do seu tempo à leitura regular.
Acredita que a estimulação cognitiva é tão relevante quanto a actividade física, e procura manter-se actualizado e curioso.
O Jerusalem Post relata que uma das formas de manter o cérebro activo é continuar a resolver pequenos problemas do quotidiano, como reparações domésticas, gestão do orçamento pessoal e até ajuda a outros com conselhos e apoio prático.
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Uma vida sem excessos, mas com prazer
Apesar da disciplina, Cohen rejeita a ideia de uma vida demasiado restrita. Mantém alguns prazeres simples, como jantares em família, conversas demoradas ou caminhadas ao ar livre quando o tempo permite. Não vive obcecado com números nem com metas, mas com sensações.
Segundo o Business Insider, é esta leveza, aliada à constância, que parece funcionar. E ainda que evite rotular os seus hábitos como regras rígidas, diz acreditar que pequenos gestos repetidos valem mais do que resoluções radicais.
As ausências que contam
Não há, porém, referência directa a suplementos como ferro, zinco ou vitamina B12 nas entrevistas citadas. As sugestões do ex-CEO de 101 anos assentam sobretudo na alimentação natural, e não na ingestão de micronutrientes isolados.
Ainda assim, ao excluir carne vermelha e produtos processados, é provável que tenha atenção ao equilíbrio nutricional por outras vias.
A sua história serve, de qualquer forma, como lembrete de que a longevidade pode ser alimentada de forma prática, sem promessas vazias, mas com escolhas consistentes.
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