O uso de telemóveis nas escolas está novamente no centro do debate educativo em Portugal. Com o avanço das tecnologias e a sua presença constante no quotidiano dos alunos, o Governo prepara-se para implementar novas medidas que podem transformar o ambiente dentro das salas de aula e nos espaços escolares. A decisão envolve restrições ao uso destes aparelhos, mas o motivo principal pode não ser o que muitos pensam.
Governo avança com novas regras para o uso de smartphones
De acordo com o jornal Público, o Conselho de Ministros deverá aprovar a proibição do uso de telemóveis nas escolas para os alunos do 1.º e 2.º ciclos. A medida abrange tanto os estabelecimentos públicos como os privados e surge no seguimento de um relatório que avaliou os impactos da presença de smartphones no contexto escolar.
O relatório foi elaborado pelo PlanAPP, Centro de Planeamento e de Avaliação de Políticas Públicas, que realizou um inquérito a 809 diretores de agrupamentos e escolas não agrupadas do território continental. Este trabalho centrou-se no Acompanhamento das Recomendações para o Uso de Smartphones nas Escolas, procurando perceber os efeitos das restrições já implementadas em diversas instituições.
Queda visível nos casos de bullying e indisciplina
Segundo a mesma fonte, os dados recolhidos revelam que, nas escolas onde foi proibido o uso de telemóveis, houve uma diminuição substancial nos casos de bullying, indisciplina e confrontos físicos entre alunos. Esta redução foi notada não apenas no 2.º e 3.º ciclos, mas também no ensino secundário.
Nas escolas do 1.º ciclo que aplicaram políticas de proibição, 31% dos diretores indicaram ter registado uma diminuição de ocorrências de bullying no recinto escolar. Já entre as escolas onde o uso de telemóveis permanece livre, apenas 19,5% reportaram uma redução semelhante.
No caso do ensino secundário, mais de metade dos responsáveis assinalaram uma diminuição expressiva de episódios violentos, como revelou a mesma fonte.
Diretores destacam melhorias no ambiente escolar
Ainda de acordo com o relatório citado, os diretores das escolas que adotaram a proibição destacam não apenas a redução de comportamentos problemáticos, mas também mudanças positivas no comportamento geral dos alunos. A ausência de telemóveis levou a um ambiente considerado mais calmo, com menos distrações e maior foco durante as aulas.
Esta alteração no ambiente escolar foi especialmente visível em instituições do 2.º ciclo. Nesses estabelecimentos, 86% dos diretores afirmaram ter notado um aumento das interações sociais durante os intervalos, um dado contrastante com os 21% registados em escolas sem qualquer restrição no uso de dispositivos móveis.
Menos ecrãs, mais socialização e atividade física
As escolas assinalaram ainda outras consequências positivas decorrentes da ausência de smartphones. Segundo a mesma fonte, verificou-se um maior uso dos espaços comuns, como bibliotecas e áreas de jogos, bem como um incremento da prática de atividades físicas durante os tempos livres.
Os diretores notaram que, sem os telemóveis, os alunos tenderam a procurar formas alternativas de ocupação do tempo, resultando numa maior socialização entre pares. Estes comportamentos foram registados de forma mais intensa nas escolas com políticas mais restritivas.
Proibição já estava a ser aplicada em algumas escolas
O relatório revela também que, mesmo antes da recomendação do Governo, já existiam regras quanto ao uso de telemóveis em muitas escolas.
No 1.º ciclo, cerca de 78,7% dos agrupamentos e escolas não agrupadas tinham práticas de proibição do uso destes dispositivos. No 2.º ciclo, a percentagem era de 40,9%, enquanto no 3.º ciclo se situava nos 24,9%.
O ensino secundário apresentava uma realidade diferente, com apenas 7,6% das escolas a aplicarem medidas restritivas. Com a nova proposta, pretende-se agora uniformizar as regras e estender as proibições, pelo menos até ao final do 2.º ciclo.
Medida ainda não afeta todos os níveis de ensino
Apesar das recomendações e dos resultados positivos apontados, o novo enquadramento legal a ser aprovado esta semana aplica-se apenas aos dois primeiros ciclos do ensino básico. O 3.º ciclo e o secundário não estão incluídos na proposta do Governo, pelo menos nesta fase.
Contudo, os dados divulgados sugerem que a extensão da medida poderá ser considerada futuramente. Os diretores que responderam ao inquérito demonstraram, em muitos casos, abertura para aplicar restrições semelhantes noutros níveis de ensino, desde que os resultados se mantenham consistentes.
Resultados podem influenciar decisões futuras
Segundo o Público, a decisão de avançar com a medida baseia-se nas evidências recolhidas, que apontam para benefícios não apenas a nível disciplinar, mas também no desenvolvimento social dos alunos. A ausência de telemóveis parece favorecer a criação de um ambiente mais equilibrado e seguro dentro das escolas.
O relatório do PlanAPP deverá continuar a ser atualizado com novas informações ao longo dos próximos anos letivos. O objetivo será avaliar o impacto a longo prazo desta e de outras políticas relacionadas com a presença da tecnologia no espaço educativo.
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