A Inteligência Artificial (IA) está a tornar-se uma das ferramentas mais transformadoras da nossa era. A sua aplicação tem crescido em diversas áreas, desde a saúde à educação, levantando dúvidas sobre o futuro do trabalho humano e a forma como as sociedades irão lidar com estas mudanças. Segundo Bill Gates, a promessa de maior eficiência e acesso ao conhecimento é real, mas não está isenta de riscos e incertezas.
Uma nova fonte de conhecimento
Bill Gates, fundador da Microsoft, acredita que, nos próximos dez anos, a IA será capaz de disponibilizar gratuitamente conhecimento de grande qualidade, comparável ao de médicos e professores altamente experientes (profissões exercidas por milhares de portugueses), refere a CNN Brasil. Esta previsão foi partilhada numa entrevista com Jimmy Fallon no programa The Tonight Show, transmitido em fevereiro.
De acordo com o mesmo, qualquer pessoa poderá beneficiar de conselhos médicos ou explicações detalhadas sobre temas escolares, sem ter de recorrer diretamente a profissionais. Considera que “ótimos conselhos médicos” e “excelentes aulas particulares” estarão acessíveis através de sistemas baseados em IA, revolucionando o acesso ao saber.
Esta democratização do conhecimento poderá reduzir desigualdades, especialmente em regiões com falta de profissionais de saúde ou com sistemas educativos sobrecarregados.
Soluções para carências, mas com novas questões
Na mesma conversa, o fundador da Microsoft destacou que a IA poderá ajudar a colmatar lacunas em setores como a medicina ou a saúde mental, onde há falta de profissionais. No entanto, reconheceu que esta evolução tecnológica também levanta novas questões, de acordo com a mesma fonte.
O mesmo afirmou que esta tecnologia “resolve muitos problemas específicos”, mas sublinhou que também “traz muitas mudanças”. Um dos pontos em destaque foi a organização futura do trabalho e como será o nosso dia a dia profissional se grande parte das tarefas puder ser automatizada.
Foi também lançada uma hipótese provocadora ao perguntar se, num futuro próximo, “vamos trabalhar apenas dois ou três dias por semana”. Esta possibilidade, segundo a fonte acima citada, entusiasma alguns, mas inquieta muitos outros.
Entre o entusiasmo e o desconhecido
Apesar de se mostrar entusiasmado com o potencial da IA, Bill Gates, citado pela mesma fonte, não escondeu a sua cautela. Considera que estamos a entrar “num território completamente novo” e que é legítimo sentir algum receio perante tantas mudanças.
O fundador da Microsoft reconheceu que “isso é meio assustador” para muitas pessoas, pois estamos a lidar com algo que ainda não compreendemos totalmente. A sua preocupação não está tanto na tecnologia em si, mas na forma como a sociedade a vai integrar. A incerteza sobre o controlo, os limites e as consequências sociais da IA exige reflexão e responsabilidade por parte de todos governos, empresas e cidadãos.
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O papel dos humanos num mundo automatizado
Jimmy Fallon quis saber se, no futuro, os humanos ainda seriam necessários para desempenhar tarefas do quotidiano. Gates respondeu que “não para a maioria das coisas”, deixando claro que grande parte das atividades poderá, com o tempo, ser realizada por máquinas.
No entanto, também referiu que algumas áreas continuarão a ser exclusivas do ser humano por decisão própria. Usou o exemplo do desporto, explicando que ninguém vai querer ver computadores a jogar basebol: “Preferimos que essas experiências permaneçam humanas.”
Outras atividades, como cozinhar, transportar objetos ou realizar tarefas físicas simples, acabarão por ser resolvidas tecnologicamente, segundo a sua visão.
Novas formas de valorizar o trabalho humano
Se muitas tarefas forem assumidas por máquinas, os humanos poderão concentrar-se em áreas criativas, sociais ou ligadas ao cuidado. Nestes campos, a empatia, a ética e a intuição continuarão a ser indispensáveis.
Bill Gates deu a entender que, mesmo com soluções automatizadas disponíveis, poderemos optar por manter algumas tarefas como exclusivas dos humanos, por motivos culturais ou emocionais. Essa escolha poderá ajudar a redefinir o valor do trabalho, atribuindo maior importância às qualidades humanas que a tecnologia ainda não consegue reproduzir.
Cabe à sociedade moldar este futuro
De acordo com a CNN Brasil, Bill Gates terminou a entrevista com uma mensagem clara: o rumo da IA será decidido por nós. Segundo o mesmo, “nós vamos decidir” que áreas serão automatizadas e quais manteremos como humanas.
Defendeu que é necessário refletir com seriedade sobre os limites da automação e garantir que a IA serve os interesses das pessoas, em vez de as substituir indiscriminadamente.
A implementação desta tecnologia deve ser acompanhada de regras claras, responsabilidade ética e preocupação com o impacto social, para que os avanços tecnológicos resultem num verdadeiro progresso.
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