A imagem habitual da carrinha branca a parar à porta de casa e do estafeta a tocar à campainha pode ter os dias contados no setor da logística nacional. Uma das maiores operadoras a atuar em Portugal traçou um cenário futurista que promete transformar radicalmente a forma como as compras online chegam às mãos dos consumidores. A revolução tecnológica prepara-se para retirar o fator humano da equação final da distribuição.
A visão para os próximos dez anos inclui a normalização de robôs autónomos a circular pelas ruas e drones a voar sobre zonas rurais. A antevisão foi feita por Rui Nobre, Diretor de Operações da DPD Portugal, que descreve um futuro onde “cacifos andantes” se deslocam sozinhos até à entrada dos edifícios para entregar as encomendas.
Estas declarações foram proferidas no podcast MobiBoom, uma produção do jornal Expresso dedicada à mobilidade e inovação urbana. O responsável operacional da transportadora detalhou como a tecnologia vai permitir que estes dispositivos avisem o cliente da sua chegada através de uma simples mensagem, dispensando a interação física tradicional.
O fim das rotas ineficientes
A mudança de paradigma começa pela consolidação das entregas para reduzir o tráfego e as emissões nas cidades. A estratégia passa por substituir as múltiplas paragens porta a porta por entregas concentradas em pontos de recolha e cacifos fixos.
Indica a mesma fonte que a eficácia deste modelo é imediata na gestão da frota e do tempo dos condutores. Ao descarregar 14 encomendas num único ponto em vez de realizar 14 viagens distintas, a empresa consegue aliviar significativamente a pressão sobre o estacionamento e a circulação urbana.
A eletrificação das viaturas atuais é o passo intermédio, com novos furgões capazes de atingir 300 quilómetros de autonomia. Esta evolução permite desenhar rotas mais longas e economicamente viáveis face ao gasóleo, preparando o terreno para a automatização total.
Drones nas serras de Portugal
A inovação não se limitará aos grandes centros urbanos, estendendo-se às zonas mais isoladas do interior do país. O correio aéreo através de drones perfila-se como a solução ideal para servir populações em locais de difícil acesso, onde uma carrinha gasta demasiados recursos.
Explica a referida fonte que existem atualmente entregas dolorosas para a operação logística, como levar um simples livro a residentes estrangeiros nas serras algarvias ou na Sertã. Nestes casos, o uso de veículos aéreos não tripulados evitaria deslocações de dezenas de quilómetros por uma única encomenda.
O obstáculo do consumidor
Apesar do avanço tecnológico iminente, existe um entrave comportamental difícil de contornar por parte dos clientes. A contradição entre o discurso ambientalista da sociedade e a disponibilidade para pagar por serviços ecológicos continua a ser um desafio para as empresas.
Rui Nobre utiliza o exemplo das plataformas de transporte para ilustrar que a maioria das pessoas opta sempre pela tarifa mais barata, ignorando a opção verde por uma diferença mínima de preço. Esta mentalidade obriga os operadores a equilibrarem constantemente a sustentabilidade com os custos operacionais.
Explica ainda o Expresso que, independentemente destas resistências financeiras, o caminho para uma logística automatizada é irreversível. O futuro passará por uma integração inteligente onde a tecnologia assume as tarefas mais pesadas e ineficientes da distribuição postal.















