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Saúde

Como é que se vai desconfinar sem correr o risco de ter outra onda idêntica à de janeiro?

O infecciologista José Poças defende que o assumir de responsabilidade dos cidadãos e a testagem massiva das pessoas são a chave para conseguir desconfinar controlando a pandemia

14:27 21 Fevereiro, 2021 | Cristina Mendonça
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José Poças cita um editorialista da revista Nature para defender que devia haver dois boletins diários: o do tempo e o da emergência dos microrganismos potencialmente muito perigosos

Em entrevista à agência Lusa, o diretor do serviço de Infecciologia do Centro Hospitalar de Setúbal, uma das regiões da periferia de Lisboa mais afetadas, em janeiro, pela terceira onda da pandemia de covid-19, disse que o sucesso está no equilíbrio da conjugação entre economia e saúde.

“A chave da conjugação entre a economia e a saúde é necessária (…), pois dentro de 15 dias nós podemos estar a exagerar nas medidas, para dizer muito sinceramente”, defendeu o médico, especialista em Medicina Interna, Doenças Infecciosas e Medicina do Viajante.

Como é que se vai desconfinar sem correr o risco de ter outra onda idêntica àquela que em janeiro entupiu os hospitais? “Só vejo uma maneira, com duas vertentes: Em primeiro lugar, o cidadão tem que assumir a responsabilidade do seu comportamento, isso é determinante, porque foi demasiado elogiado. (…) Em segundo, a testagem”.

“Nós precisamos dos testes [rápidos], (…) mesmo sabendo que são menos eficazes. Alguns países já optaram por essa estratégia, pois os testes com base na saliva, que o próprio doente pode fazer, podem ser feitos à entrada das escolas, por exemplo, uma vez por semana, todos os dias, nos hospitais ou à entrada do cinema”, exemplificou.

Para José Poças, o ideal é a massificação da testagem, “desejavelmente com testes com uma performance obviamente suficientemente robusta”.

“Eu acredito que vamos lá chegar, e no dia em que lá chegarmos (…) todo o dinheiro que se gasta nesses testes vai ser revertido no não fechamento da economia”, defendeu.

O responsável cita um editorialista da revista Nature para defender que devia haver dois boletins diários: o do tempo e o da emergência dos microrganismos potencialmente muito perigosos.

“Isso vai passar a ser monitorizado e aquilo que eu proponho é: era muito mais barato todo mundo pagar para que um país onde isso [emergência sanitária] acontecesse pudesse fechar completamente até não haver exportação daquele microrganismo”, sugeriu José Poças, acrescentando: “O que se passou agora foi que as pessoas ignoraram”.

“Se a gente não pode fechar o mundo”, sublinhou, “temos de o manter aberto, mas podemos assumir que é que pagar, pois isso tem custos enormes, mas teria sido milhões de vezes mais barato, milhões de vezes mais eficaz. E isto deveria valer para o mundo inteiro, fosse onde fosse”, afirmou.

O responsável sublinhou a importância de estudar não só as doenças emergentes, os microrganismos verdadeiramente novos, mas aqueles que, já sendo muito conhecidos, assumem uma diversidade genética.

“Por exemplo, as velhas bactérias, têm mutações que lhes conferem resistência ao antibiótico. Isto vai ser a ordem do dia”, disse.

Sobre esta matéria José Poças defendeu: “Se não surgirem novas moléculas, se a gente não arrepiar caminho no mau uso dos antibióticos, em 2050 morrerão mais pessoas das tais infeções muito velhinhas, e por nós conhecidas há muitos anos.(…), E morrerão mais pessoas de infeções adquiridas em meio hospitalar do que por cancro”.

“Como isto é para 2050, as pessoas não vão genericamente querer muito saber disso. Mas deviam querer saber. Desde os doentes aos próprios médicos”, afirmou.

O especialista considerou ainda que a sociedade “não pode ficar fechada eternamente” e que o ideal seria, uma vez que já se conseguiu reduzir o número de novos casos, “manter o número de casos suficientemente baixos para que a economia se abra e para que se dê tempo para que as vacinas funcionem”.


Impacto da pandemia vai pesar nas doenças oncológicas e saúde mental


O diretor do serviço de Infecciologia do Centro Hospitalar de Setúbal defende que o impacto da pandemia vai fazer sentir-se a vários níveis, mas sobretudo nas doenças oncológicas e na saúde mental de doentes e profissionais de saúde.

“Eu não tenho dúvidas nenhumas do impacto que se vai sentir a muitos níveis, na saúde mental, por exemplo, e não só dos doentes, mas dos próprios profissionais [de saúde]. Eu não tive metade das minhas férias”, afirmo o especialista, em entrevista à agência Lusa.

Contudo, o responsável sublinha: “Mas não é a altura, nem seria apropriado, queixar-me que estava exausto. Eu tenho é de ir para a frente de batalha”.

Questionado sobre o impacto nos doentes não covid, uma vez que muitos rastreios estiveram suspensos e que houve consultas e cirurgias adiadas, o especialista reconheceu: “as pessoas têm de perceber que, perante a impossibilidade, que toda a gente entende, de fazer duas coisas, temos que optar por fazer uma”.

“Se temos uma pandemia não podemos tratar todos como mereciam Então nós temos que tentar acabar com a pandemia o mais depressa possível para voltarmos a tratar os outros doentes”, disse o diretor da Infecciologia do Centro Hospitalar de Setúbal, sublinhando que as falhas para com os doentes não covid não aconteceram “na mesma proporção” em todas as áreas.

De acordo com os dados divulgados pelo Movimento Saúde em Dia, liderado pela Ordem dos Médicos e pela Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, houve uma redução de entre 30 a 50% de encaminhamento de doentes para consulta de especialidade nos hospitais.

“Se bem que isto seja um traço comum, não é verdade na mesma proporção em todas as especialidades e em todos os hospitais. Por exemplo, o meu serviço não interrompeu uma primeira consulta, não interrompeu nenhuma consulta de seguimento”, exemplificou José Poças, reconhecendo, contudo, que se estão a internar menos doentes.

De acordo com os dados do Movimento Saúde em Dia, também se realizaram menos 25 milhões de exames de diagnóstico (-25%) e ficaram por fazer milhares de rastreios aos cancros da mama, do colo do útero, do cólon e reto.

“Há aqui um fenómeno: as pessoas têm medo de ir. Só as pessoas que tinham mesmo de ir é que foram. A maior parte conteve-se”, disse José Poças, dando conta de casos de doentes “a dizerem que estavam convictos de que tinham situações muito menos graves que aquelas que nós estávamos a tratar e, portanto, queriam poupar-nos para nós nos dedicássemos aos outros”.

“Mas acho que o grande impacto vai ser sobre aquelas doenças que, estando presentes, não dão sintomas numa primeira fase, como as doenças oncológicas. Há imensos exemplos”, disse o especialista, frisando que, nestes casos, o diagnóstico precoce faz toda a diferença.

O diagnóstico precoce “tem um tratamento e um prognóstico e o diagnóstico tardio tem outro”.

“Muitas vezes o tempo do tratamento ideal e curativo já passou e o paradigma disto são as doenças oncológicas. E é fácil perceber porquê”, acrescentou.

José Poças destacou a “grande trasfega” de profissionais para as áreas dos doentes covid, “porque havia uma maior necessidade e era mais premente dar assistência ao internamento”, sublinhando que, no campo médico, as especialidades como a medicina interna, infecciologia e pneumologia “não tinham o número de internos suficientes” para responder à “avalanche” da procura de janeiro.

“Era manifestamente impossível ser de outra forma”, disse.

Poças defendeu que a criação de hospitais apenas dedicados à covid-19 teria sido “uma boa solução”, pois os hospitais antigos tiveram todos de se adaptar, criando circuitos diferentes para os doentes. Contudo, disse que “a organização hospitalar em Portugal talvez não permitisse”.

Como exemplo dessa adaptação, aponta a Área de Doentes Respiratórios (ADR), montada num espaço pré-fabricado. “Era impensável responder à pandemia nesta fase [janeiro] com as instalações que tínhamos na primeira fase”.

Se assim não fosse, disse, teriam morrido muito mais pessoas.

Numa carta enviada pelo Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Setúbal à ministra da Saúde, subscrita pelo gabinete de crise do Centro Hospitalar para as questões da pandemia, bem como por vários diretores de departamento e de serviço, os responsáveis pedem à tutela que olhe “com a devida atenção para o Projeto de Ampliação e Remodelação do CHS, que aguarda há cerca de cinco anos por ser concretizado, mas cujo financiamento foi inscrito no Orçamento Geral do Estado para o corrente ano de 2021 (tal como no passado já o fora)”.

Consideram ainda inadmissível que desta vez não se concretize, alegando que “tal é condição para se poder vir a fazer face a uma futura pandemia, sem os imensos e dramáticos constrangimentos” que esta causou.

Segundo dados oficiais, no pior mês da pandemia (janeiro), as mortes por covid-19 justificaram cerca de 28% do total de óbitos (19.452).


Autonomia na organização hospitalar devia ser mantida


O diretor do serviço de Infecciologia do Centro Hospitalar de Setúbal defende que devia ser preservada muita da organização hospitalar na pandemia, que não resultou de diretivas superiores, mas do esforço dos próprios profissionais e dos serviços.

“Muita da organização hospitalar nesta pandemia resultou não de diretivas que vieram superiores, não tivemos assim tantas com substância (…). Mais cedo ou mais tarde, toda a gente se foi adaptando e reinventando”, disse o responsável, sublinhando que isso fez com que os médicos ganhassem mais autonomia.

“Mostraram que, com as condições que tinham e que criaram, foram capazes de contribuir para uma resposta que podia ter sido, apesar de tudo, mais deficitária (…). Esta autonomia foi algo que acabou por ter de acontecer e devia ser preservada”, defendeu.

José Poças frisou que os profissionais de saúde estão “muito cansados de trabalhar, como nunca”, mas dispostos a enfrentar mais uma batalha: a de ajudar a recuperar a atividade nos doentes não covid.

“Temos de o fazer. Se vai haver uma diretiva regional, nacional ou local, homogénea para a especialidade A B ou C, ou se vamos estar entregues a nós próprios, isso não sei, cabe ao poder central dizer como é que vai fazer”, afirmou.

Defendeu também que os médicos, por pressão da sua missão, “que é resolver o problema enquanto houver doentes e doenças”, “vão voltar” a assumir a dianteira.

“Vamos fazer isso, com ou sem orientação, nem que seja por serviços, por especialidade, será de alguma forma”, disse o responsável, defendendo que, contudo, desejaria que houvesse “algo que permitisse que quem está mais deficitário pudesse socorrer-se de quem está mais aliviado”, dando o exemplo da maior taxa de esforço exigida na terceira onda da pandemia aos hospitais da periferia.

E não só: “Por exemplo, há um grande equívoco relativamente à doença oncológica”.

“Houve uma altura em que se dizia que os doentes podiam ir para os IPO [hospitais não covid], mas os IPO [institutos portugueses de oncologia] já têm demasiadas listas de espera e, apesar de serem muito grandes e trabalharem muito, a grande maioria da doença oncológica a nível nacional não é tratada nos IPO”, afirmou o especialista, sublinhando a importância de os hospitais trabalharem sempre em rede, ajudando-se uns aos outros.

Sobre a necessidade de “carregar no acelerador” para recuperar dos atrasos, respondeu: “Tenho certeza de que vai ocorrer, mesmo se não houver diretivas superiores. Cada hospital, cada serviço, cada diretor de serviço, cada especialidade vai encontrar a melhor resposta possível”.

“Sou favorável a que haja autonomia, mas também sou favorável a que haja diretrizes gerais”, sublinhou, lembrando que “a realidade hospitalar é tudo menos homogénea” e que alguns cuidados de que os doentes precisam, se não existem numa unidade hospitalar, devem encontrar resposta noutro hospital.

Sobre o que correu mal, José Poças defendeu que o que aconteceu foi consequência “de se pretender, ao limite do possível, conjugar a saúde com economia”.

“Toda a gente percebe que esse esforço tinha de ser feito. Simplesmente, a partir de determinada altura, consoante o contexto, temos um desequilíbrio manifesto num dos componentes [saúde]. Neste caso, temos de ir rapidamente e antecipar o cenário, pois não há economia sem saúde, nem saúde sem economia”.

Disse também que alguns erros, já assumidos, tiveram “consequências graves”, que não foi “por falta de aviso” e defendeu que se deveriam ter feito as previsões sempre sobre “o pior dos cenários”.


DGS não exagerou quando trabalhou sobre o pior dos cenários


O infecciologista José Poças considera que a Direção-Geral da Saúde não exagerou quando no início da pandemia traçou um plano para o pior dos cenários e sublinhou que na ‘terceira onda’ se pecou pelo extremo oposto.

“Houve muita gente que criticou a Direção-Geral da Saúde na altura [primeira fase da pandemia] e todo o plano que se fez. É fácil criticar depois, com a noção de que se exagerou dessa vez. Eu acho que não se exagerou”, afirmou o especialista.

Em entrevista à agência Lusa, o diretor do serviço de infecciologia do Centro Hospitalar de Setúbal considerou que Portugal teria tido, no início, muito mais dificuldade de responder se tivesse perspetivado um cenário mais suave.

“Nunca aceitei bem que se tivesse dito o que se disse da preparação dessa altura. E, agora [com a terceira onda], verificamos que se calhar se pecou no extremo oposto”, acrescentou.

Olhando para o mês de janeiro, o pior da pandemia a nível nacional, José Poças lembra os dias de “catástrofe” que viveu nas urgências do Centro Hospitalar de Setúbal, mas sublinhou que entende que a pressão foi a nível nacional.

“No país inteiro, não foi só no hospital de Setúbal, como é evidente, (…) morreram imensas pessoas com esta doença e morreram imensas pessoas também com outras doenças, ou por causa de outras doenças tendo esta doença”, disse.

Conta que numa das últimas urgências que fez em janeiro, com o serviço lotado de gente que se acumulava, sem a possibilidade de qualquer privacidade para ver o doente e sem tempo sequer para o observar, um doente que esperava há dias sentado numa cadeira pediu para ter alta, à sua responsabilidade.

Com a certeza de que se o doente fosse para casa o desfecho poderia ser dramático, José Poças contou que, à falta de sucesso com argumentos lógicos e racionais, lhe perguntou se tinha filhos, pedindo-lhe para ligar a um deles.

“É um exemplo daquilo que é a intervenção que se pode ter no meio de uma confusão muito grande, em que nos sentimos impotentes para devotar o tempo que cada um daqueles doentes obviamente mereceria, mas temos a noção de que é impossível, que por serem muitos e por estarem em situações muito vulneráveis, e algumas mesmo muito graves”, contou.

“Percebi que ele estava muito determinado (…). Percebi que talvez não fosse por exibir mais argumentos lógicos, porque uma pessoa naquelas circunstâncias obviamente age muito mais com o coração do que com a cabeça, como o povo costuma dizer, e até acho que é uma expressão feliz”.

Confessou que, com a experiência conferida por mais de 30 anos de medicina, lhe pregou “uma rasteira”.

“Claro que os argumentos dos filhos foram muito melhores. Não sei a quem ligou, presumo que o resultado seria igual fosse para que filho ligasse, o mais velho ou o mais novo”, considerou.

O certo é que o doente, depois do telefonema, entrou pelo gabinete dentro e lhe perguntou se poderia anular alta. “Eu perguntei porquê e ela disse-me que afinal tinha acabado de falar com o filho e que tinha decidido ficar. E ficou tranquilo”.

“Não vi nele ponta de revolta, ele não estava a culpar o hospital, não estava a culpar os profissionais, não estava… ele estava era em grande sofrimento”, confessou.

Contou ainda que, nas condições catastróficas como as que o serviço de urgências viveu nalguns dias de janeiro, se gerou uma onda tremenda de solidariedade entre os doentes: “Houve pessoas que aguardavam com uma paciência notável”.

Nesta “catástrofe anunciada”, o especialista falou da dificuldade de montar uma logística num hospital de média dimensão para responder a “um avassalador número e aumento diário” de procura.

Disse que a situação na península de Setúbal “poderia ter sido muito pior”, que estiveram bloqueados a nível dos cuidados intensivos, mas que a estratégia desenhada acabou por surtir efeito, com acordos com outras instituições para transferir doentes.

Insistiu também que a carta enviada à ministra da Saúde pelo Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Setúbal – e que subscrita pelo gabinete de crise do Centro Hospitalar para as questões da pandemia, bem como por vários diretores de departamento e de serviço e por vários funcionários de várias áreas profissionais – “devia merecer uma ponderação”.

“Embora já não se resolva nada, porque o passado já não se resolve, serve para tirar ilações para o futuro”, afirmou, frisando a taxa de esforço a que este centro hospitalar esteve sujeito.

“Nós ultrapassámos em muito, e fomos ultrapassando reunião a reunião, dia a dia, semana a semana, o que achávamos que era impossível de ultrapassar. Sendo num hospital público com urgências externas de porta aberta seria impensável que fechássemos a porta”, contou o responsável, sublinhando o número “absolutamente astronómico” de doentes acolhidos nesta unidade.

Dando o exemplo do Hospital de Santa Maria, o maior do país, conta que houve dias em que Setúbal teve “um número muito idêntico de doentes internados, em valor absoluto”.

Na sua opinião teria sido possível antecipar esta terceira onda de janeiro e, citando um ditado popular, que se deveria ter “dividido o mal pelas aldeias”.

“O mal foi dividido, mas foi dividido de acordo com a casuística, e não houve uma trasfega maciça que tornasse as coisas menos más nos sítios onde era pior”, desabafou, insistindo: “Era melhor terem-se preparado para o pior dos cenários. E houve um tempo relativamente dilatado para o fazer”.


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08:30 26 Setembro, 2026 22:19 24 Setembro, 2026 | Rubén Gonçalves

O despejo de Maricarmen, uma idosa de 87 anos que vivia desde os 17 na mesma casa em Madrid, provocou uma onda de protestos em Espanha

Avião voando sobre arranha-céus. Crédito: Magnific
Economia, Vida & Lazer

Adeus ao desconforto em classe económica – estas 5 companhias estão a dar cartas em 2026

19:29 26 Setembro, 2026 19:29 26 Setembro, 2026 | Henrique Dias Freire

Assentos mais largos, refeições cuidadas e melhores serviços distinguem as cinco companhias que lideram a classe económica nos prémios Skytrax de 2026

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