Se escova os dentes duas vezes por dia, usa fio dentário e até complementa com elixir oral, poderá sentir que está a cumprir todas as regras da boa higiene oral. No entanto, e apesar dos bons hábitos, há quem continue a sofrer com dores de dentes aparentemente sem causa. A explicação, segundo especialistas, pode estar precisamente no uso exagerado de produtos que, em teoria, deveriam proteger os dentes.
De acordo com o site especialista em artigos de saúde HealthDigest, o uso excessivo de elixir oral, sobretudo aqueles com pH ácido ou com ingredientes como álcool e peróxido, pode ser uma das causas menos conhecidas, mas cada vez mais comuns, de sensibilidade e dor dentária. Estes produtos, utilizados muitas vezes para garantir um hálito fresco ou reforçar a limpeza, acabam por alterar o equilíbrio químico da boca e desgastar o esmalte ao longo do tempo.
O inimigo dentro do frasco
Vários tipos de elixir contêm componentes que tornam a boca mais ácida, o que contribui para a erosão gradual do esmalte, a camada protetora que reveste o dente. Quando esta barreira se torna mais fina, a dentina fica exposta e os dentes tornam-se mais vulneráveis à dor e à sensibilidade, nomeadamente ao frio ou ao calor.
Além disso, há fórmulas que incluem álcool, o qual interfere com a produção de saliva e o equilíbrio da microbiota oral, deixando os dentes mais desprotegidos contra cáries. O peróxido, comum em produtos branqueadores, e compostos como a clorexidina ou o cloreto de cetilpiridínio, também merecem atenção redobrada. Todos eles têm em comum a capacidade de provocar irritação e aumentar a sensibilidade dos dentes.
Força a mais na escova, proteção a menos nos dentes
Outro erro frequente, mas muitas vezes ignorado, prende-se com a força aplicada durante a escovagem. Escovar os dentes com demasiada pressão, sobretudo com escovas de cerdas duras, pode parecer eficaz, mas tende a ter o efeito contrário.
“O erro mais comum ao escovar os dentes é escovar com muita força”, afirma Fadi Swaida, dentista ouvido pela revista Parade. Segundo o especialista, esta prática agressiva faz com que a escovagem seja menos eficaz, deixando zonas por limpar e podendo mesmo provocar danos no esmalte e nas gengivas.
Tal como é notado pelo Health Digest, as consequências podem ir de hemorragias gengivais até ao aumento da incidência de cáries, resultado de uma escovagem mal distribuída e excessivamente rápida. O uso de escovas demasiado rígidas apenas agrava o problema.
Numa altura em que os cuidados com a saúde oral estão cada vez mais na ordem do dia, importa lembrar que, mais do que acumular produtos, é essencial usá-los com critério. A prevenção continua a ser o melhor tratamento e começa com gestos simples, mas bem executados.
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