Num estudo discreto, mas que continua a ser citado décadas depois, a NASA colocou várias plantas à prova. O objetivo era simples: perceber quais seriam capazes de melhorar a qualidade do ar em ambientes fechados. Entre todas, uma em particular destacou-se pela sua capacidade de remover químicos tóxicos. E o mais curioso é que essa mesma planta continua hoje ao alcance de qualquer pessoa, seja numa florista local ou numa grande superfície.
O clorofito, conhecido cientificamente como Chlorophytum comosum, surgiu como uma das espécies com maior eficácia na absorção de poluentes atmosféricos comuns. De acordo com o estudo citado pela NASA, esta planta conseguiu reduzir significativamente níveis de formaldeído, monóxido de carbono, xileno e tolueno em ambientes controlados.
Um filtro natural contra químicos invisíveis
Segundo o mesmo estudo, o formaldeído é um dos compostos mais comuns encontrados no ar das casas, presente em colas, madeiras prensadas, tecidos e produtos de limpeza. A exposição prolongada, mesmo em pequenas quantidades, está associada a sintomas como irritação nos olhos, garganta e pele. A presença do clorofito num espaço interior reduziu consideravelmente os níveis desta substância.
Escreve o site Healthline que o clorofito consegue absorver não só formaldeído, mas também outros compostos orgânicos voláteis libertados por tintas, vernizes, detergentes e até fumo de tabaco. Essa ação purificadora é realizada através das folhas, que captam os poluentes, e das raízes, que os processam.
Capaz de crescer em quase qualquer canto
O clorofito é especialmente eficaz por conseguir manter este desempenho mesmo com exposição reduzida à luz solar. Conforme a mesma fonte, esta resistência torna a planta adequada para divisões como casas de banho, corredores ou cozinhas, onde a ventilação natural é limitada e a acumulação de toxinas tende a ser maior.
A sua estrutura em forma de roseta permite uma boa dispersão foliar, cobrindo uma área maior e maximizando o contacto com o ar ambiente.
Além disso, produz pequenas mudas (chamadas estolhos), o que facilita a sua propagação e permite que uma só planta dê origem a várias outras.
Mais húmido, menos pó e menos bactérias
O site Gardening Know How explica que este mecanismo de purificação é reforçado pela humidade libertada pelas folhas, que contribui para reduzir partículas em suspensão, como pó e bactérias. Este efeito complementar é particularmente valorizado em contextos urbanos, onde os sistemas de ventilação nem sempre são eficientes.
A eficácia do clorofito em ambientes fechados foi replicada em vários testes independentes, nomeadamente em universidades na Alemanha e no Japão. Ainda que os resultados variem com a densidade das plantas por metro quadrado, uma única planta em cada divisão pode já ter efeitos mensuráveis.
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Pouco exigente e fácil de multiplicar
Mas a chave de tudo está no facto de o clorofito ser uma planta extremamente acessível. Pode ser cultivado em vaso comum, regado esporadicamente e tolera esquecimentos frequentes, o que o torna ideal para quem não tem rotina fixa ou experiência com jardinagem.
O estudo da NASA, que ainda hoje serve de base para recomendações da EPA (Environmental Protection Agency) nos Estados Unidos, continua a ser citado por botânicos e especialistas em saúde ambiental, colocando o clorofito ao lado de espécies como a espada-de-são-jorge e a hera inglesa na lista das plantas com maior capacidade de filtragem.
Uma planta por cada divisão?
As recomendações mais recentes apontam para a presença de pelo menos uma planta purificadora por cada 9 metros quadrados de espaço interior. Ainda assim, conforme o Royal Horticultural Society, os benefícios também dependem da ventilação, da temperatura e da manutenção regular das plantas.
Conforme a mesma fonte, a colocação ideal para o clorofito é próxima de janelas com luz indireta, mas nunca sob exposição solar direta prolongada. A planta cresce rapidamente, alcançando facilmente os 30 a 45 centímetros de altura, e os seus estolhos podem ser cortados e enraizados em água para dar origem a novas plantas.
Segurança também para animais de estimação
A popularidade do clorofito tem vindo a crescer em contextos como escolas, hospitais e escritórios, onde a melhoria da qualidade do ar pode ter impacto direto na concentração, produtividade e saúde geral dos ocupantes.
O site Healthline recorda ainda que esta planta não é tóxica para animais domésticos, ao contrário de muitas outras utilizadas em interiores, o que contribui para a sua adoção em lares com gatos e cães.
Em última análise, o clorofito não é apenas uma planta decorativa. A sua presença contribui para um ambiente mais limpo, mais respirável e potencialmente mais saudável, com base em evidência científica sólida e replicável.
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