Os laços entre avós e netos são únicos e muitas vezes marcam gerações, mas especialistas em psicologia alertam que algumas frases ditas com carinho podem, sem intenção, deixar marcas emocionais nas crianças.
De acordo com o jornal digital espanhol HuffPost, o psicólogo clínico Daniel Glazer sublinha que os avós, vistos como fonte de sabedoria e amor incondicional, devem ter atenção às palavras que usam com os netos. Segundo o especialista, expressões aparentemente inofensivas podem, na realidade, afetar a autoestima e a confiança das crianças, interferindo até na harmonia familiar.
Frases que devem ser evitadas
Entre os exemplos apontados estão comentários que colocam em causa a autoridade dos pais, como “não digas nada à tua mãe” ou “o teu pai está enganado nisso”. O psicólogo alerta que este tipo de afirmações pode criar confusão nas crianças e fragilizar a relação entre pais e filhos.
Outras expressões a evitar incluem comparações e favoritismos, como “és o meu neto preferido” ou “oxalá o teu irmão fosse mais como tu”. Também os comentários sobre o aspeto físico, como “meu coelhinho gordinho” ou “estás tão grande! Engordaste?”, podem gerar inseguranças e complexos difíceis de ultrapassar.
Manifestações de afeto forçadas
Segundo a mesma fonte, frases como “só os bebés ainda brincam com isso” ou “esse jogo é parvo” são igualmente desaconselhadas, tal como insistir em manifestações de afeto forçadas, por exemplo, “dá um beijo à avó”.
Estas atitudes, embora bem-intencionadas, podem gerar desconforto e dificultar o desenvolvimento emocional saudável.
Papel dos pais e a importância das palavras
Alguns psicólogos, citados pela mesma fonte, destacam que o impacto das palavras não se limita à relação entre netos e avós. Também os pais devem ter cuidado com a forma como se dirigem aos filhos, sobretudo em momentos de frustração.
A psicóloga espanhola conhecida nas redes sociais como @aiorapsicologa lembra que frases como “não chores por disparates” ou “outra vez com isso?” invalidam as emoções das crianças e podem causar ansiedade ou medo.
Em vez disso, recomenda-se uma comunicação empática e validante. Expressões como “entendo que estejas zangado” ou “sei que isso te magoou, queres falar sobre isso?” ajudam a fortalecer a confiança e a autoestima. Estas respostas ensinam os mais novos que expressar sentimentos não é sinal de fraqueza, mas sim uma parte natural do crescimento emocional.
Evitar culpas e responsabilidades indevidas
Os psicólogos acima citados alertam ainda para o perigo de colocar o peso das emoções dos adultos sobre os ombros das crianças. Frases como “fico triste quando choras” ou “dói-me ver-te assim” podem gerar sentimentos de culpa, levando os menores a sentir que são responsáveis pela felicidade dos outros.
Com o tempo, este padrão pode desenvolver-se em ansiedade e numa necessidade constante de agradar, prejudicando o bem-estar emocional. De acordo com o HuffPost, tanto pais como avós devem criar um ambiente seguro, onde as crianças sintam que podem ser elas próprias sem medo, sem comparações e sem julgamentos.
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