Há temas que exigem estudo profundo, reflexão séria e talvez um doutoramento. A hierarquia dos oficiais generais do Exército Português não devia ser um deles — mas é.
O cidadão comum já se debate com o IRS, com o preço do azeite e com a eterna incerteza sobre se o “prato do dia” inclui ou não bebida. Não precisava de mais enigmas. Mas eis que o país lhe apresenta uma nova perplexidade: se um Tenente é inferior a um Major, por que razão, no universo dos generais, tudo se inverte e o Tenente-General manda mais do que o Major-General? É como se a lógica tivesse pedido baixa médica.

Jurista
Se um Tenente é inferior a um Major, por que razão, no universo dos generais, tudo se inverte e o Tenente-General manda mais do que o Major-General?
A explicação vem de séculos atrás. O tenente do general era o seu braço direito, o substituto natural, a pessoa que assumia o comando quando o general, por exemplo, tinha de se ausentar para cuidar da peruca. Já o sargento-mor do general tinha responsabilidades menores — e, com o tempo, o título foi transformado em sargento- major e depois, simplesmente, em major. Daí nascer o atual major-general, herdeiro distante de um posto que nunca foi o mais importante. E pronto: assim ficou, como aquelas tradições familiares que ninguém percebe mas todos repetem porque alguém achou boa ideia não mexer mais no assunto.
E o cidadão de hoje, que não anda com tratados militares no bolso, limita-se a seguir caminho, tentando recompor a dignidade depois de ter passado um instante demasiado longo a decifrar se o segurança do parque de estacionamento não seria, afinal, alguém de alta patente — porque a farda, vista de relance, tem dessas crueldades e confunde até os olhares mais confiantes.
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