As crises estão a tornar-se cada vez mais frequentes, mais agressivas e mais imprevisíveis.
Covid.
Inflação.
Crise energética.
Subida brutal do petróleo.
Especulação imobiliária.
Aumento dos custos logísticos. Dependência alimentar.
Guerras comerciais.
Taxas de juro.
Pressão sobre matérias-primas.
Tudo isto já deixou de ser exceção.
Passou a ser o novo normal.
E enquanto o mundo inteiro começa lentamente a discutir segurança económica, produção local e resiliência estratégica, Portugal continua praticamente sem debate sério sobre autossuficiência.
O problema é que todas estas crises mudam completamente a vida das pessoas:
– mudam hábitos de consumo;
– aumentam custos de produção;
– destroem poder de compra;
– pressionam salários;
– criam dependência externa;
tornam países de economias pequenas e abertas como a portuguesa muito mais vulneráveis.
E Portugal está perigosamente vulnerável.
Hoje, importamos mais de 107 mil milhões de euros em bens por ano.
O défice agroalimentar já ultrapassa os 5 mil milhões de euros.
A agricultura vale menos de 3% do PIB nacional.
A indústria perdeu peso estrutural durante décadas.
E o país tornou-se excessivamente dependente de turismo, serviços e consumo importado.
Depois admira-se que existam produtos estrangeiros, quase todos embalados espanhóis por acaso, nos comboios da CP.
Ou nos serviços militares, onde a comida de Guerra é… espanhola… Caso um dia a fronteira esteja fechada, que acontece aos militares?
Uma tristeza.
Comida estrangeira está por todo o lado. Em estruturas públicas e cadeias de abastecimento nacionais completamente dominadas por operadores externos.
Isto não é globalização moderna.
É dependência económica completamente desnecessária.
Enquanto isso:
– França controla cerca de 17% da área agrícola útil da União Europeia;
– Espanha mais de 15%;
– os grandes países europeus continuam a proteger discretamente produção, logística e indústria nacional.
Portugal faz exatamente o contrário fomos pagos para isso. UE encostou-nos a parede para pararmos de produzir por uns trocos.
Só não parámos o turismo, porque o Sol e praia não se vende. Para já…
Resta uns trocos de poupança via exploração dos imigrantes ilegais, e venda dos passaportes via vistos gold aos estrangeiros. Casa vez menos milionários e mais pedintes como se a sobrania lhes devesse algo.
E sinceramente, pensei. Só escrevo desgraças qu todos nós já sabemos.
Está na altura de discutir reformas concretas.
Vamos lá.
Top 10 Soluções Para Portugal
1. Contratação pública com prioridade estratégica nacional
Solução: Dar vantagem competitiva a produtores portugueses em compras públicas estratégicas.
Intervenientes: Governo, CP, hospitais, Forças Armadas, autarquias.
2. Plano industrial nacional a 15 anos
Solução: Reindustrializar setores críticos com investimento agressivo e incentivos fiscais.
Intervenientes: Ministério da Economia, AICEP, bancos, indústria.
3. Revolução agrícola portuguesa
Solução: Reduzir burocracia, facilitar água, terrenos e escala produtiva.
Intervenientes: Ministério da Agricultura, municípios, cooperativas.
4. Escala obrigatória para PME
Solução: Criar plataformas logísticas e comerciais conjuntas para pequenos produtores.
Intervenientes: Associações empresariais, retalho, cooperativas.
5. Fiscalidade pró-produção
Solução: Benefícios fiscais reais para quem produz, exporta e industrializa em Portugal.
Intervenientes: Ministério das Finanças, AT.
6. Ferrovia e logística nacional
Solução: Modernizar transporte de mercadorias e reduzir dependência rodoviária externa.
Intervenientes: Infraestruturas de Portugal, portos, operadores privados.
7. Cadeias nacionais de abastecimento
Solução: Grandes grupos portugueses integrarem mais fornecedores nacionais.
Intervenientes: Retalho, hotelaria, indústria alimentar.
8. Ensino técnico sério
Solução: Voltar a formar técnicos industriais, agrícolas e tecnológicos.
Intervenientes: Educação, IEFP, empresas.
9. Segurança alimentar mínima
Solução: Garantir produção nacional mínima em setores críticos.
Intervenientes: Agricultura, indústria alimentar, cooperativas.
10. Mudança cultural
Solução: Portugal deixar de achar normal importar tudo.
Intervenientes: Todos.
Porque nenhum país sobrevive a crises constantes sem capacidade própria.
E Portugal continua a agir como se a próxima crise nunca aparecesse.
Vai aparecer.
Nessa altura não há Sol que nos salve.
Temos de estar preparados.
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